sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Kah - Dever, destino ou simplesmente um lugar que se deve ir!!


Levanto-me só em um salão escuro! Dois corpos me fazem companhia. Ulic, o companheiro de Grimm e um outro homem, velho, desconhecido. Nem sinal de meus companheiros ou da criatura monstruosa que nos atacou.
Com o corpo rijo ainda agonizando do veneno da aranha, arrasto-me a vasculhar a sala que me encontro. Nada! Espere... Uma passagem oculta na parede! Pressiono a parede em um local específico e aí está, uma escada subindo em espiral. Imagino que mais uma sala vazia me espera, mas vale a pena procurar.
Não era tão vazia como esperava! Dois túmulos, um aberto, com a tampa de pedra deslizada formando um vão grande o suficiente para ver que o esquife está vazio. O outro fechado! Sinto minha cabeça pesar, e de repente a sala parece mudar ficar mais nova, as teias de aranha somem, a poeira desaparece. Em meio a sedas e cortinas do mais fino tecido, vejo ela, uma khilasa bonita, com olhar profundo, acariciar um felino negro.
“Quem é vc? Onde estou?” pergunto.
“Sou apenas uma memória criança! Uma mente que se recusa a descansar seu ultimo descanso. Sou Vishu e sou nada, pois morri faz muitos séculos! Vc apenas entrou em contato com minhas memórias, como kah determinou!”
“O kah é inexorável! Mesmo após tanto tempo.” respondi.
“O tempo é uma face na água! Mas tome o seu. Traga-me o viajante vermelho, pois ele sofreu em meu nome, mais do que sua frágil mente humana poderia. Dê conforto ao espirito do outro que também morreu.”
“Há um monstro afora, não tenho condições de lidar com ele.”
“Ela não está lá. Vá e volte!”
Após cuidar dos mortos, um enterro novo para Ulic e um antigo para Harak (esse era seu nome), volto à sala das tumbas, cansada, com a mente pesada.
“Você terá dificuldades de lembrar de tudo! Isso acontece pois não está acostumada a leitura da mente. Mas tente lembrar disso: Stenon terá força para cancelar a magia do servo da Discórdia!”
“Stenon, meus companheiros, onde estão?”
“Não se preocupe, voltarão! E vc responderá suas perguntas!”
“Derrotaremos a Discórdia?”
“A verdade é uma coluna com um buraco no meio! Eu não sei!”
E assim desaparece minha ancestral! 

Nadja,
Lordag, 23 de Zári de 417 - Outono.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A velha nova bruxa da floresta!


Corpo dolorido, cabeça pesada. Assim me senti quando acordei em uma rústica cabana de madeira. Parece que cuidaram de mim, e a julgar pelos meus ferimentos curados, mais dias do que a urgência de nossa demanda poderia permitir. Os demais estavam em cabanas similares, mas não havia sinal de Ulic, Malakir ou de Nadja.

Barristan.

As cabanas pertencem a um povo pássaro, os Aarakocra (ao menos acho que é assim que se pronuncia). Parece que servem àquela que nos trouxe aqui, a chamam de Rainha da montanha. O shaman da tribo fala algo do comum, e nos disse que sua senhora voltaria para falar conosco. Estamos sem nossos itens, por isso ficarei atento à noite.

Grimm.

Nós ir encontrar com feiticeira da montanha! Sem-pelo demoram demais em pensamentos e planos. Rog pegar itens direto com fêmea sem-pelo. Trilha indicada pelo shaman Aarakocra levar a caverna suja. A fêmea ser a sem-pelo mais imunda que Rog ver. Cheiro de chuva no ar!

Rog

Niern! O nome que perdura em nossos ouvidos ultimamente. Primeiro no sonho de Malakir, depois o diário que Malakir encontrou nas ruínas do mausoléu, por fim na Canção vermelha Harak falava da maga que roubou as gemas de poder.  Como pode um ser viver tanto, e através de artes tão nefastas. A criatura, pois me recuso a enxerga-la como um ser humano, vive transferindo suas forças vitais para as filhas e todas convivem no mesmo corpo a mais de 400 anos.  A mesma Niern que treinou com Olden Mur, na antiga Estocol, a mesma que assassinou Myll, que por fim se tornou a bruxa da floresta e sua filha, novamente Niern, uma das heroínas do novo reino. Sempre em busca de poder, sempre deixando todos os demais para trás, numa incansável busca por poder. Custo a crer que a mesma menina descrita nas canções, como perturbada e frágil, agora tem em si o poder de feiticeiras antigas e poderosas... e ainda mais. Que Heimdall nos proteja.

Stenon

O cheira-livros não morrer! Como pode ser, se seu cheiro passar? Que maldita bruxaria faz uma mãe destruir filhotes? Marcas de morte no corpo do cheira-livros! Magia ser coisa ruim, destruir filhotes e famílias. Destruir montanhas, para buscar mais! Um movimento e mim arrancar cabeça de feiticeira, mas feiticeira morrer?? Rog achar que não! Que fazer?

Rog

A mulher é louca, grita e fala como se não estivéssemos aqui. Suas múltiplas personalidades brincam conosco, indo e vindo, de uma mulher experiente e perigosa a uma menina infantil e furiosa. Ela guarda dentro de si um demônio da montanha! Chariou!! Isso a destruiu por dentro. Mas seu poder é considerável, estamos pisando em ovos. Espero que o cão peludo raivoso ou os justos e idiotas homens não ponham tudo a perder!

Grimm

Minha irmã! Então parte do meu passado me persegue! Minha própria mãe me descartou, criou-me como um experimento falho. Kalastur, meu mestre apenas buscava vingança sobre minha família! Como saber o que havia em minha mente antes que ele a apagasse? Todos me usaram, minha mãe, meu mestre! Meu corpo é um experimento à morte, uma regeneração constante, não me serve nem como base de estudo. Maldita mãe e maldito Kalastur! Mas paciência, assim vocês me ensinaram, paciência e resiliência. Pagarão por isso!

Malakir

-Como podes confiar na criatura negra? O visionário é agente da Discórdia, sua palavra é veneno!! Se ele diz que absorver o que resta da montanha a fará completa é porque não fará, não percebes?!!! É um enganador!

Barristan.

-Não importa! Lhes contei minha história, agora devo destruí-los antes que tentem me impedir como o visionário previu. Sei que não permitirão que eu destrua a montanha e sua amada cidade junto.

Niern, com a voz velha e cínica de Norna.

-Ora, isso não é verdade! Iremos ajuda-la! (todos olham alarmados para Grimm) Sim, pois temos algo que nem as gemas lhe deram. Sob nós caiu o fardo de saber o que virá.

Grimm

-Não minta para mim anão! Posso extrair a verdade de suas palavras, não ouse tentar me enganar.

Niern, com a voz furiosa da primeira Niern.

-A khilasa que abondastes na fortaleza de Blakmork pode ver o que virá, assim o creio, pois Harak disse que os homens não foram feitos para ver o futuro, e os khilasa haviam esquecido como fazê-lo. Leve-nos até Nadja, e se ela conseguir ver o que virá, poderá lhe dizer se a palavra do visionário negro é verdadeira ou falsa.

Grimm, com um sorriso no rosto.

- Sim, os khilasa podem saber! E os levarei, pode ser! Mas antes vamos confabular um pouco mais! Temos visita.

Niern, com sua voz infantil e esperançosa.

Rrrrrrrrrrrrrraghhhhhh!!!! Sinto o cheiro do homem de preto!

Rog.

HAHAHAHAHAHAHAHHAHAA!!! “a risada é conhecida e assustadora, mesmo quando deveria se mostrar ingênua e pura, ela carrega um tom de morte e desespero.”

Cuidado com o tipo que anda, o corvo da tempestade, suas palavras são veneno e más notícias sua carga. Seu olhar de homem bom carrega discórdia e perfídia!

Stenon.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Visita inesperada!

When you came in the air went out.
And every shadow filled up with the doubt.
I don't know who you think you are,
But before the night is through,
I wanna do bad things with you.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A canção vermelha e bruxa da floresta!


Arrgh, a dor! A gigantesca aranha expeliu uma nuvem de gás venenoso. De relance vi Nadja, Barristan e o companheiro de Grimm caírem. Eu mesmo não sinto mais nada. Sons de batalha, o grito de dor de Stenon, correria! Rog me puxa e coloca sobre seus ombros, me levando para torre que havíamos avistado. Seria a fera que enfrentamos o espírito da floresta de que falavam os homens de Ankior?
Encostado nas paredes estranhas da construção vejo Stenon atender aos ferimentos da khilasa e percebo seu suspiro de alívio ao terminar de analisa-la. Barristan também parece bem. O olhar de perda de Grimm fala por seu aliado Ulic. Aí vem Stenon, já era hora, não sinto nada, dor, frio ou calor. Como se estivesse enclausurado em meu corpo, mesmos os sons são longínquos e distorcidos.
Porque Stenon não faz nada? Onde estão suas curas? Onde está seu maldito deus? Poruqe não me movo? Não, não morri, eu posso ouvi-lo!!! Volte Stenon, faça sua mágica maldito!!
Ao longe ouço a voz de Harak, o viajante vermelho, contar sua história. Ouço-o falar o nome Niern, será a mesma do diário que porto? Porque esses idiotas não o pegam entre meus pertences?
Ela chegou...as últimas palavras que ouço de Harak. Mesmo nesse estado de torpor eu percebo a magia poderosa que se aproxima. Fujam!!! Tento gritar, mas nada meus lábios não se movem. Ouço o voz de Barristan, trêmula pelo pavor: PERE!!! Ouço o rugido de dor do Gnoll. Sinto a magia no ar e então vejo o rosto dela. Magro, sofrido, desgastado por uma luta interna. Ela tem espanto no olhar ao me encarar no chão da torre, me olha com reconhecimento. Quem é ela?
“Isso muda tudo!” ela diz, e conjura novamente. E não estamos mais na torre khilasa perdida em Blakmork.
Malakir.

Obrigações!


Espero que meus companheiros tenham se saído bem na Floresta Sombria. Deixei uma nota com os lenhadores de Ankior, dizendo da necessidade que tive de voltar a Kjord e o que aconteceu no ancoradouro clandestino.

“Meus caros companheiros, eu e os anões tivemos uma fácil vitória no que sobrou do antigo ancoradouro. Digo antigo, porque agora não é mais do que um monte de cinzas, pois foi o que fizemos após rechaçar a pequena resistência que lá havia. Parece que os líderes dos malfeitores partiram no Drakkar que ficou ileso e deixaram alguns para tentar consertar o que Grimm ateou fogo. Não tiveram esse tempo! Após algumas mortes, eles se renderam, e eu apliquei a justiça lá mesmo, usando as árvores como forcas. De toda forma, os líderes escaparam, e pelo que me disse Ilaturak, o aruk, ainda permanecem com uma escrava. Tenho a obrigação de relatar tudo isso a Lady Emma, por isso parto para Kjord. Voltarei para encontra-los caso não venham para Kjord. Deixem menção de onde forem nos caminhos por onde passarem, para que eu os encontre, caso o destino nos separe. Que Heimdall vigie seu caminho. Sir Gideon.”

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Não se ganha uma batalha com veneno!!


Rog se preocupou mais quando ficou sabendo por Stenon que no meio dos escravos que estavam presos no ancoradouro clandestino havia um do Povo. Grimm foi bem detalhista quando disse que a alma de seu irmão estava quebrada e ele não via sentido em resistir. O anão se mostrou valoroso mais uma vez ao fugir do cárcere e vir trazer todas as informações valiosas, mas agora era preciso agir rápido!
O plano já estava definido. Rog não compreendia muito bem como os sem-pelos poderiam ser tão covardes a ponto de preparar um veneno derramar no poço. Isso só poderia ter saído da cabeça de algum humano desonrado. Ainda que o gnoll não renegasse o valor de seu uso, veneno e magia não são armas de um guerreiro.
Mas o plano era bom. Entrar na calada da noite em barcos de pescadores pelo cais, esgueirar-se até a casa onde os escravos estavam e com a ajuda de alguma magia que os fariam passar despercebidos, livrar a todos. Derramar o saco com a emulsão que o mago cheira-à-livros havia preparado no poço e fugir de volta pela água levando os escravos. No meio dos pensamentos simples do jovem gnoll, um plano de tão simples execução sempre é a melhor alternativa, porém não entendia porque demoraram tanto para concebê-lo.
No decorrer da noite, viajaram pela água beirando a praia. Logo ao chegar próximo ao acampamento perceberam que nada seria tão simples quanto o plano deixou transparecer. Os contrabandistas estavam preparando para deixar o acampamento e estavam carregando seus drakkares com tudo que ali havia. O movimento era intenso e não parecia que ia se estender pela noite toda. No entanto, a fêmea Kilhasa avistou uma caverna próxima a um lugar ermo e então o grupo rapidamente se esgueirou por entre as fendas. Encontraram uma pequena enseada com um barco de fuga escondido. Rog farejou alguns pertences ali e entre eles alguma ração, adagas, pederneiras e um cobertor. Nesse meio tempo Grimm encontrou um buraco no teto da pequena caverna e subiu. Rog o seguiu.
O buraco saia entre alguns arbustos logo abaixo de uma torre de observação do acampamento. Grimm fez sinal para Rog ficar e se esgueirou furtivamente para a torre. Dois vigilantes desatentos. Fácil demais para o anão, mestre na arte da emboscada. Rapidamente e com a habilidade de ser silencioso, o anão deu cabo do primeiro vigia e subiu para derrubar o segundo. Enquanto este estava grunhindo no chão, Rog chegou para quebrar-lhe o pescoço e finalizar sua dor. Despiram-nos e os demais se juntaram aos dois na torre. Nadja ficou no barco de vigia à porta da caverna e Malakir na parte de dentro para o caso de uma saída rápida. Stenon e Barristan se disfarçaram tal como Grimm havia feito antes. Este já havia avançado furtivamente. Stenon lançou uma magia na espada de Barristan e tudo ficou silencioso a sua volta. Ainda bem, pois Rog já não suportava mais ouvir tantas discussões sobre o próximo passo a ser dado. Eles precisam agir com muita presteza ou...
Um grande clarão chamou a atenção de todos! A casa onde os escravos haviam sido trancafiados havia sido passada nas tochas. Seu telhado em chamas oferecia um espetáculo de terror. Rog se precipitou a corre, mas Barristan o deteve. Ele fez vários sinais para que Rog o seguisse. O gnoll mesmo sentindo a urgência correu atrás do guerreiro sem-pêlos e seu amigo clérigo. Logo os dois pararam para mais uma vez discutir, dessa vez em sinais, quando um soldado veio para o lado deles. Armas foram desembainhadas e uma luta começou. “Não há tempo para isso” – pensou Rog que deixando seus dois amigos cuidarem dos soldados correu como um louco para a casa em chamas. Pela velocidade e peso do corpo de Rog, fácil foi quebrar a parede de madeira com o impacto. Uma porta se fez e o gnoll se viu dentro da casa em chamas com um alçapão ao fundo. Usando seu machado ele abriu a porta no chão e várias pessoas em pânico começaram a sair. Seu irmão gnoll estava lá também. “Mais um?!” gritou ele confuso.
“Irmão, sai já! Não há tempo a perder. Leve essa fêmea sem-pelo com você.”
Tomando-a no colo o gnoll aquiesceu e respondeu:
“Ainda há dois amarrados lá dentro.”
E correu. Barristan e Stenon entraram pelo buraco feito por Rog e começaram a ordenar a fuga dos escravos. Rog desceu a porão e cortou as cordas que prendiam dois escravos. Um era um Aruk. O outro um normando. Ambos torturados até a exaustão. Rog os colocou nos ombros e correu. Saindo da casa em chamas percebeu a mulher que havia confiado ao seu irmão gnoll jogado no chão, tonta, e percebeu que não havia honra também em alguns do seu próprio Povo. Colocava a mulher de braço dos braços quando ouviu gritos vindos do porto. Os homens que haviam entrado nos drakkares tinham percebido a tentativa de fuga e armavam suas flechas contra eles. Seriam um chuva vinda de céu com suas pontas afiadas atravessando a todos, mas no último instante, ouviu-se um estrondoso BUUUUUUUM!
Rog, não pode dizer com certeza, mas percebeu um anão se esgueirando pela proa do barco e pulando ao mar antes da explosão. Algo dizia a ele que isso era mais uma armação de Grimm. O mestre anão realmente sabia usar de sua frieza para resolver as coisas com grande estilo.
De volta aos barcos, a meio caminho de volta, foi que os heróis perceberam que a emulsão não foi atirada ao poço. Como Rog havia pensando, grandes vitórias não se ganham com veneno e sim com coragem.
O escravo humano desmaiado finalmente acordou. Grimm disse que ele era o verdadeiro Ulic. Ele se mostrou muito grato e em débito. Quando chegaram à vila, os heróis encontraram um grupamento de anões no dia seguinte. Podendo estes ficar na vila para dar cobertura a um eventual ataque vingativo por parte dos contrabandistas, o grupo decidiu por ir a atrás do Viajante Vermelho mais uma vez, rumo a torre na floresta assombrada.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Fuga pela floresta

Ulic não era Ulic, mas sim Galrus, o líder dos bandidos disfarçado. Maldita hora que aceitei tentar infiltrar nessa escória. Com os números contra mim, nada a fazer a não esconder alguns apetrechos nos meus muitos bolsos e torcer para que não sejam encontrados.

O verdadeiro Ulic está comigo agora, amordaçado e espancado, parece que estamos sendo levados para o tal ancoradouro clandestino. Devo ficar atento e aproveitar a primeira chance de fuga.

Fui colocado com outros prisioneiros, notadamente um Aruk e um Gnoll, além do próprio Ulic. Os demais parecem pessoas comuns, sem reação.
Após uma longa conversa com o Aruk, Ilaturak é seu nome, descobri algo sobre os bandidos. Parece haver dois líderes, Galrus e Korak, sendo o segundo um khâd como eu, e traficante de escravos. Isso não soa bem, quanto antes escaparmos melhor!

Fizemos um plano, as barras de madeira não nos impedirão. Sairei furtivamente, Ilaturak e Ulic sairão ao meu sinal. Abrir o alçapão foi brincadeira de criança, me esquivar dos quatro guardas não parece tão fácil. Há escombros no local, farei a volta neles e atacarei.

Maldita sorte!! Os guardas ouviram algo, e agora estão procurando, espero que meus circunstanciais aliados não façam nada estúpido. Mas parece que exigi demais...
Ilaturak saiu como uma besta em fúria de dentro do alçapão. Os guardas o derrubaram facilmente. Ulic não se manifestou. Só me resta uma coisa a fazer: fugir!

Se me lembro bem do mapa que o falso Ulic nos mostrou, minha esperança se encontra no sul, a floresta sombria Darkmork, não me procurarão lá. Espero que por pura superstição...




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Enquanto isso em Ankior...

Meus companheiros partiram nessa tarde, com destino a enigmática floresta sombria. Grimm e Ulic, nosso anfitrião, partiram em direção ao ancoradouro clandestino.
Aproveito as horas para conhecer um pouco os lugarenhos dessa pequena vila. Tem uma vida simples, de trabalho nas florestas (dois terços dos homens são lenhadores), caça, pesca. Comerciante vem do norte a cada dois meses. Nenhum tipo de perigo, pois o sul é fechado por uma floresta que todos temem, inclusive os animais. As montanhas são intransponíveis. 
Zuitar é o líder dos lenhadores, e uma espécie de ancião da vila. Seu filho, Yoken, deve seguir no lugar do pai, uma espécie de nobreza insipiente, e poucos sabem que as terras daqui pertencem a meu avô, o Velho Ulfendyr.
Sobre a floresta, pouco me foi dito, ainda parecem receosos quanto aos estranhos do norte, como percebi que nos chamam. Parecem com medo.

O fim do dia se aproximava, quando algo me chamou a atenção. Ulic e mais seis homens, quatro deles lenhadores que já havia visto na vila se aproximaram. Ulic não deveria voltar antes de amanhã!
Usei das bençãos colocadas sobre os paladinos de Heimdall para perceber intenções malignas. Quase desnecessário, estavam todos armados, e os camponeses se afastavam de sua chegada de modo subserviente, mas não surpreso. Foi quando subi ao dorso de Sleipnir, e bradei: 

- Não temam, povo de Ankior, pois está entre vós um que luta contra o medo e a opressão. Bandidos não serão páreos para a justiça que Hofud, a espada dos nossos ancestrais, trará sobre suas cabeças.

Em galope, atropelei o primeiro homem. O que foi suficiente para que os homens de Ankior, investidos de coragem, reagissem e atacassem com pedras e paus os malfeitores ali presentes. Mas o líder Ulic, o traidor, fugiu com dois de seus homens, e mataram dois lenhadores em sua fuga. Serão vingados.

A noite foi de vigília e confabulação. Agora os camponeses se abriram, contaram que há muito vem sendo oprimidos por malfeitores e escravagistas. Decidimos pedira ajuda aos khâd da fortaleza ao norte e preparar uma grande fogueira, para alertar meus companheiros que algo não vai bem. Me preocupo com Grimm!

Sir Gideon.



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Aranhas e enigmas!! Escravos e traição?




Meu nome é Ilaturak, um Aruk da tribo do lago gelado, caçador e comerciante de peles, fui aprisionado por escravagistas e levado para trabalhos forçados em um ancoradouro clandestino. Mas o que estes homens não sabem é que entendo bem a língua nórdica, e portanto fiquei conhecedor do tal lugar, afinal já estou aqui trabalhando a vários dias. O líder se chama Galruz, existe uma vila em algum lugar a sudeste daqui,  o líder dos escravagistas é um anão chamado Korac e  os outros escravos aqui alocados são um bando de trabalhadores braçais sem grandes qualidades de combate. Um homem, chamado Ulic, ia e vinha da tal vila próxima.
Um belo dia, eis que coincidente com a saída de Galruz do ancoradouro, o tal Ulic aparece todo espancado e é jogado entre os prisioneiros. Ao conversar com ele, descobri que esse tal Ulic era uma duas faces, que trabalhava para os homens maus e para alguém mais chamada Emma. Foi descoberto e agora estava preso.

Ilaturak.

Enquanto isso, termino minha magia e peço Grimm beije a pétala de flor. Saberei se algum mal lhe afligir Grimm. "Sim, sim, qualquer coisa!!" respondeu-me o zangado anão.
Sir Gideon ficou em Ankior, Grimm foi com Ulic e nós nos dirigimos a Floresta sombria, Blakmork. 

Stenon

Aranhas, malditas aranhas, esta floresta está infestada de aranhas! Matamos seis grandes como cães.

Barristan


"Grande torre ao sul!!" foram as palavras de Rog no seu sofrível nórdico. Acamparemos esta noite em uma clareira e amanhã vamos em direção a esta ruína que o bárbaro viu. Espero que valha a espera. Será que o tal viajante vermelho estará lá? Ou pelo menos passou por lá? Bom, não adianta elucubrar, amanhã saberemos, vou preparar meus encantamentos.

Malakir

"Grimm está em apuros!!!" gritou Stenon. "Foi preso, traído por Ulic. Eu vi a cena pela benção de Heimdall."
O que faremos? perguntei um pouco atordoada com tudo isso. Não consigo me concentrar, algo me chama no interior da floresta, o caminho parece claro e mesmo assim temerário. Não podemos abandonar o anão a sua sorte, mas as ruínas me chamam!

Nadja.


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Em busca do viajante vermelho - parte 1

Foi uma festa bem divertida! Dancei até exaurir minhas forças. Os homens apreciam a dança khilasa, apesar de também se importarem com outros jogos sem sentido! Parece que Barristan foi o grande vencedor da noite, e os prêmios com certeza superaram suas expectativas, ha ha!
Partimos no dia seguinte. Uma viagem tranquila, com direito a uma noite na torre de vigia dos khâd-goldar. Gutuca ForjaMartelo, sua líder e quatro outros anões formavam a guarda da torre. Poucos, algo me dizia que eles contavam com outras formas de agir. Foi uma noite tranquila, e mais dois dias chegaríamos a Ankior.
Antes de chegar a pequena vila, dois acontecimentos chamaram a atenção. Primeiro, um lobo foi preso na armadilha que Rog preparou. Uma bela criatura, e decidi que seu destino não seria virar um casaco. Falei com ele na língua khilasa, e ele concordou em me seguir. Chamarei-o de Manco, uma pequena memória de como a armadilha de Rog o pegou. O outro acontecimento foi o colar de Stenon, que parece ter transferido seja qual for a mágica que possuía para o próprio Horn. Resta aguardar o que isso significa!
Por fim, chegamos a vila de Ankior, pouco mais que um conjunto de cabanas. Lenhadores e caçadores nos recepcionaram com desconfiança.
"Procuramos por Ulic, viemos em busca de informações sobre um conjurador", disse amavelmente.
"Eu sou Ulic, vocês eram esperados. Venham, me sigam até minha casa!"

Ulic me pareceu um homem suspeito, rápido de entendimento, é de se admirar que viva num lugar como aquele, mas Grimm também me parece suspeito, e é um grande amigo.
Perguntamos sobre o tal ancoradouro.
"É um grande acampamento, cerca de 100 ou mais pessoas, entre trabalhadores, mercenários e bandidos. Gaurus é o líder, e tem seis sub-chefes com ele. Os mais preocupantes são Cerdic, um batedor que vigia os caminhos que chegam até o acampamento, e Eve, uma mercenária que protege as cargas. Korac, o anão não estava lá 4 dias atras, mas pode ser que esteja, aí devemos nos preocupar mais, pois ele é muito perigoso. Rascunharei um mapa da região."
"E o viajante vermelho?" perguntou Barristan.
"Sim, sabia que iam me perguntar sobre ele, Sra Emma me avisou. Sujeito estranho. Estava no ancoradouro quando ele chegou. Havia pagado pelo transporte, mas os marujos o temiam, disseram que era louco. Saiu de lá e veio até Ankior em minha companhia, e daqui foi ao sul, rumo a Bjolmork, a floresta sombria."
"Floresta sombria? O que há lá?" Arguiu Stenon.
"Os lugarenhos a temem, dizem que quem entra nunca retorna, que o espírito da floresta a protege."
Grimm olhou para Ulic e sugeriu: "Poderia me apresentar a Gaurus, talvez eu seja um bom reforço para ele."
"Posso tentar, mas temo que talvez fiquem sabendo sobre a sua chegada junto com seu grupo nada comum de amigos".
"Sugiro dormirmos e amanhã decidimos." disse e saí, vou passar a noite com Manco.

Nadja.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Entre duas tempestades!!

Destruidos Yoren, o morto-vivo e Bargesh, a besta!

Após alguns dias de paz, compras e curas, os heróis de Kjord se preparam para uma dura decisão.
Se encontram na Casa do Grifo, e enquanto esperam a cerveja trazida por Drunkar, proprietário da taverna, discutem suas opções:

- Barristan está curado, já podemos partir! Disse Sir Gideon.
- Estou sem parte de meus artefatos, os homens do rei se apropriaram deles. Malditos! Não posso partir sem eles. Exclamou Malakir.
- Esperaremos, e enquanto isso enviamos notícias à Sra Emma. Nos fará bem sermos recebidos em Kjord como heróis, facilitará nossos caminhos, acrescentou Nadja.
- Todos concordamos em buscar o tal Viajante Vermelho? perguntou Stenon.
- Não, mas ninguém escuta o anão que os banqueteou com informações!! resmunga Grimm.
- Sim, concordamos, pelo menos a maioria. A voz de Barristan ainda carrega um pouco de debilidade.
- Iremos ter com a Sra Emma assim que Malakir reaver seus pertences. Conclui Stenon.
- Rucharb dulag!!! (Odeio esperas).


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O fim de Yoren (Horn stands)


Cada dia que passo com esse estranho grupo me surpreendo mais! Mortos vivos... demônio em forma de um cão... E agora um clérigo corrompido em uma forma grotesca de um morto vivo!
A exploração das ruínas foi MUITO LUCRATIVA! Bem o que esperava para mim nesta vida de aventureiro...
Armadilhas, passagens secretas e tesouros escondidos! Tudo o que se pode esperar de uma exploração de ruínas como está!
Porém, há um lado negativo nisso tudo, monstros e mais monstros. Porém, acreditava que todos os mortos vivos seriam quase inertes como os que enfrentamos até agora. O risco estava calculado! Mas, para meu assombro, o clérigo, que no fundo acreditava que seria um grande aliado nosso, se mostrou ser nosso maior oponente...
Oculto por uma ilusão do visionário negro, facilmente percebida pelos meus céticos olhos de anão, se encontrava, entre outros quatro zumbis, os clérigo que procurávamos. Ele estava corrompido! Transformado naquilo que ele mais odiaria se transformar! Um morto vivo...
E para meu assombro, ele ainda mantinha seus poderes clericais... utilizando-se de uma poderosíssima magia, quase matou a todos, com náuseas e doenças indescritíveis. Somente Malakir parecia conhecer bem os segredos e como evitá-los...
Nunca imaginei isto nesse estranho grupo... sermos defendidos e um feroz ataque físico por um raquítico mago! Mas assim foi...
O paladino avançou com sua inocência e quase foi devorado vivo pelos mortos vivos...
Enquanto os mortos vivos avançavam, o corajoso mago avançou e fechou uma das portas, diminuindo ainda a área de ação dos mortos...
O Gnoll, mesmo com várias gangrenas e pústulas saindo da pele, avançou e retirou o paladino do perigo...
Sir Gideon e eu apenas nos arrastávamos, pois estávamos muito fracos sequer para nos mover...
Barristan, este foi, sem dúvida, o que mais sofreu com a doença... foi sendo carcomido por dentro e, coitado, talvez não venha a sobreviver a tais efeitos! Está além até mesmo da nefasta necromancia e dos estranhos conhecimentos de Malakir...
Tentei fugir e me esconder da melhor forma que pude... senti medo! Reconheço! Definitivamente não nasci para ser um herói idiota! Sou apenas um sobrevivente!
O que pude fazer foi arrastar Barristan do perigo da melhor forma que pude! E sua condição apenas me assustava mais! Seus olhos pareciam estar adquirindo um brilho opaco... como o dos monstros que enfrentávamos. Que me perdoem o que vou dizer, mas pensei, por um breve momento de misericórdia, em acabar com o seu sofrimento ali mesmo! Não aguentaria me ver daquela forma... preferiria a morte!
Com o estranho efeito da magia passando, Stenon mereceu sua alcunha de DEFENSOR. Ele segurou os mortos sozinho por um longo período! Corajoso este clérigo! Talvez eu deva reconhecer melhor sua coragem e a força de sua religião!
Malakir e Rog, desapareceram no interior das ruínas, nos deixando a mercê do inimigo! Pelo menos foi o que me pareceu!
Mesmo assustado voltei e pedi para Stenon fugir ou recuar... E ele continuava lutando como um herói das lendas! Foi épico!
Pude ver lágrimas escorrendo em seus olhos no momento em que acertou um golpe decisivo no seu amigo, o clérigo corrompido! Nunca imaginei que, em toda a sua honra e bondade, ele tivesse essa coragem!
Fiquei envergonhado de mim mesmo! E corri para ajudá-lo. Derrotamos os três outros mortos vivos restantes...
Enfim tudo acabara!
Para meu assombro aparece Malakir vindo do interior das ruínas arrastando Rog, mas este estava apenas ferido! Demasiadamente ferido! Mas fora de risco!
Mas a situação de Barristan era preocupante! Necessitava de cuidados urgente! Então Sir Gideon partiu com ele a galope para o templo de Bifrost! Sua melhor chance de cura seria lá...
Então ficamos, eu, Stenon com suas eternas orações, Malakir com seu fascínio por um livro e alguns pergaminhos que encontrava, o gnoll desmaiado e muito, mas muito, ouro e itens valiosos!
No fim, pelo menos foi "lucrativo"...
Mas algo me incomodava! Não encontramos o Visionário Negro e nem o Andarilho Vermelho... e meu coração me indicava para me dirigir ao norte, para retornar a uma luta que deveria ter travado há muitos anos atrás...

domingo, 9 de setembro de 2012

Na trilha do homem de preto.


Após matarmos a maldita Besta, continuamos a nos dirigir para o nosso incerto destino a procura do tal Visionário Negro.
Por fim chegamos onde tínhamos encontrados os mortos vivos pelo primeira vez... no local onde trouxemos Rog naquela estranha caixa de madeira...
A trilha nos fazia ir às taigas ao norte.
Definitivamente não é um bom lugar para um anão. Com tantos gravetos, folhas secas e pedras é impossível andar sorrateiramente. Mas para quem anda com um ingênuo gnoll de 200 quilos, que rosna e abana o rabo até em um simples barril de peixes, andar sorrateiramente é praticamente impossível!
Adentrando nessa taiga cada vez mais, ouvimos um estranha música.... pedi aos meus companheiros para que se detivessem e fui sorrateiramente na frente.
Entre sombras e árvores me dirigi ao norte e encontrei uma clareira com uma estranha figura tocando uma flauta. Permaneci um tempo a observar. A criatura possuía mãos e face estranhamente azuladas... como se o sangue não corresse. Quando o mesmo parou de tocar, mais um estranho acontecimento... aparentemente a criatura não respirava.
Voltei a me encontrar com meus companheiros e relatei o fato...
Stenon achou "prudente" chegar pela frente e indagar a criatura sobre suas "intenções"... Ah! Nada como a inocência clerical!
Aproximando-se Sir Gideon usou seus dotes e ao pude ver que ele sacou a espada imediatamente... Com isso me dirigi a esquerda procurando cercar a criatura.
Antes que pudesse me posicionar melhor para um ataque furtivo, uma machadinha foi arremessada. Era o sinal que o ataque iniciara. Imediatamente arremessei duas adagas. Minha alcunha é "Tiro certo"! Foram certeiras e o corpo tombou no chão...
Mas, por algum tipo de estranha feitiçaria a criatura continuava a dizer coisas...
A mesma se dirigiu para mim:
"Grimm, eu o conheço. Conheci um anão como você... Sei seus segredos..."
Só essa que me faltava! Agora os mortos me diziam coisas e me conheciam!
Mesmo sob os estranhos acontecimentos, e por insistência de meus destemidos companheiros (acredito que há uma grande diferença em ser destemido e ser enxerido... mas tudo bem...), prosseguimos até a chegar em uma estranha caverna.
Havia restos de ovelhas em sua entrada. Um horrível odor putrefado!
Adentrando na estrutura, havia um corredor que desembocava em uma porta com 2 estranhas estátuas. Estas estátuas, depois de indagações e discussões intelectuais de Stenon e Malakir, chegaram a conclusão que eram estátuas honrando deuses em busca de proteção.
A porta estava trancada. Era hora de sermos o mais sorrateiro possível. E comecei a utilizar meus talentos para destrancar o mecanismo sem o danificar.
Este é um processo cuidado e delicado... e requer tempo. Tempo demais para um jovem e imaturo gnoll.
Enquanto trabalhava nisso, meus apressados companheiros resolveram examinar o corredor a esquerda, e... KABUM... Rog caiu em um fosse com estacas. Por sorte as estacas estavam velhos e o maior dano foi a queda.
Há algo admirável nesse gnoll além da sua força e sua imprudência... sua habilidade de escalada! Nunca vi algo parecido! Ele saiu de um fosso de quase 7 metros com uma agilidade incrível!
Continuei concentrado no mecanismo da fechadura... e meus companheiros continuaram a sua exploração.
Eles encontraram alguns mortos vivos numa sala no fim do corredor a esquerda. A batalha foi muito breve e preferi continuar concentrado no mecanismo da porta.
Enfim a porta se abriu... Ao abrí-la, havia outros 3 mortos vivos no outro lado da porta! Droga! Estou convivendo muito com esse gnoll e aprendendo a ser imprudente como ele...
O primeiro avançou sobre mim, saquei minhas adagas e acertei-o bem no peito! Bem, isso comprova que o coração não é mais um ponto fraco destes seres, pois o mesmo continuou de pé apesar do dano sofrido. Tentei me reposicionar melhor para o combate e gritei aos meus companheiros: "Mais mortos vivos!"
Os 3 monstros avançaram sobre mim e me atacavam incessantemente. Nisso o gnoll avançou sobre o primeiro monstro como um louco desvairado e arrancou a cabeça do mesmo! Isso me deu tempo para revidar e acertar os outros dois bem na cabeça. Bem, ao que parece o ponto fraco deles é a cabeça...
Nos reagrupamos, continuamos a explorar a sala que abri, e encontramos mais uma estátua. Desta vez uma estátua da deusa Frigga, pela qual Stenon comentou sobre a devoção dos antigos.
Continuando a exploração encontramos uma porta dupla e um corredor que prosseguia. Porém algum de meus companheiros comentou algo sobre uma porta na sala que tinha descoberto anteriormente. Como se esquecem de uma coisa assim? Voltamos imediatamente...
A porta estava emperrada e o gnoll tentou arrancá-la a força. Porém algumas coisas não é questão de força, e sim questão de jeito. Utilizando meus talentos diminui a pressão sobre as dobradiças da porta, e o gnoll a arrancou facilmente.
Lá se encontrava um pequeno baú! Até que enfim algo interessante. Procurei algum dispositivo secreto e não encontrei nada. Ao abri-lo porém uma surpresa! Um pequeno dardo atingiu meus dedos! Porém nada que a vitalidade anã não dê conta. Apenas um arranhão! Lá dentro havia alguns tesouros e vários papéis em ruínas...
Pelo menos alguma recompensa por eliminar alguns mortos vivos! Agora sim está empreitada está começando a valer a pena...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Morre a besta

 "Desprendido será Fenris Lobo
e destruirá o reino dos homens,

antes que venha um principe real
tão bom quanto, para ficar em seu lugar."

...extraído da Edda.






Os khilasa vieram
confabularam e dançaram
guerreiros e clerigos
em frenesi estiveram

A parte de tudo 
Rog observa, temeroso
da magia khilasa que a todos leva

Sonhos do futuro

“De Gehena nascida,
Invocada na noite.
De força total imbuída,
Sem temor à batalha, entregue à carnificina.
O que a Arte invocou, a arte termina,
O metal puro, a verdadeira ferida.”

Valentes heróis 
em busca do destino partiram
ao Tipo que anda, veneno e encantamento.

Mas surpresas aguardavam 
e num salto da escuridão
barghesh em seu caminho.

Luta feroz,
De Grimm brilhou a prata
De Gideon a espada ancestral
De Stenon a luz do guardião
De Malakir a mão espectral
De Rog a coragem selvagem

E com furor tal qual o mais selvagem gnoll

Atirou-se as costas da besta
a jovem khilasa em sua canção
Óh Nadja-Mio, querida magia
A besta cai ao chão!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mister Darkman

Mr. Darkman, what went on in your head

Oh, Mr. Darkman, did you talk to the dead
Your life style to me seemed so tragic
With the thrill of it all
You fooled all the people with magic
You waited on Discordian's call
Mr. Charming, did you think you were pure
Mr. Alarming, in nocturnal rapport

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Tavernas, sonhos e descobertas. "Ó Discórdia!!"

Porto do Arenque.
"Recebam estes presentes, são apenas uma mostra da gratidão do Jarl Balagor" disse a Sra Emma Ulfhendyrdotter, e os entregou alguns regalos.

Para Malakir, um rolo de pergaminho, tirado da coleção real.
A Barristan foi dado um arco, "pertenceu ao antigo guarda-costas de meu pai, o Ogro, cuja força era prodigiosa."
Rog recebeu uma lança de arremeço. Nadja um colar da própria Emma, "Use-o ou venda-o conforme sua necessidade".
"Essa adaga é uma réplica da adaga do Gral Ulfhednar, mestre anão". E a mim, a armadura de Cotarr Pikeson, pois segundo o jovem jarl, ela condiz com as armas de um Horn.

Após os presentes a Sra nos pediu que ajudássemos a livrar Kjord da Besta. A meu ver um pedido redundante, pois minha obrigação como guardião é a proteção do reino. A recompensa ofertada de toda forma nos será útil.
"Após lidarem com besta, me procurem pois tenho notícias sobre um certo andarilho vermelho, pois meus agentes me informaram sobre a chegada de um certo navio mercante."

Decidimos nos separar. Rog, Nadja e Grimm iriam verificar informações na vila portuária. Eu e Malakir ficamos no arredores do salão, ajustando minha armadura e nos preparando. Sir Gideon ficou com sua tia, confabulando.

Stenon Gwaterson.

Frio, um vento frio cortava até minha resistência natural contra o clima. Algum lugar na vila um homem caminha em direção a uma pira apagada. O homem de preto caminhava somente com a sombra do homem lobo ao lado, quando a besta se aproxima. Barghesh! Sua força aumenta à medida que se aproxima do caminhante negro, meu coração se comprime. Ao chegar à pira, ele faz um gesto, como que chamando alguém. Sorrindo, sempre sorrindo. Um vulto se levanta, sem um dos braços...Cotarr! Agora são quatro, e se viram em minha direção, uma gota de suor desce em minha fronte, real, sinto o gosto salgado quando ela atinge meus lábios. O Visonário, Cotarr renascido como alguma cria de Hella, o Homem lobo e Barghesh, a besta de Kjord, livre e mais poderosa, tomando o lugar do falecido Louco Jack.
"Sonhando comigo novamente, khilasa? Não, isso não pode ser! Isso vai lhe custar, sim!"
Sua mão começa a sangrar, e com isso sinto uma forte dor em minhas mãos! Elas sangram, e sei que acordarei banhada em meu sangue.
"Vocês acham que diminuem minhas forças? Elas só aumentam!" E ao longe, olhos vermelhos brilham na escuridão, Yoren!!!

Acordei, minhas mãos feridas realmente. Foi um aviso, ele pode me ferir em Todash (sonhos proféticos dos Khilasas). Falei de meu sonho ao meu novo Kah-tet.

Nadja.

Rog e Nadja foram ao mercado de peixes. Bom, me atrapalhariam a buscar a informação que queremos.
Me dirigi à taverna local (Porto do Arenque). Comece pela taverna, sempre! A bebida é a maior contadora de segredos.
Na taverna um grupo de marinheiros da Cia Mercante bebiam e cantavam a canção 7 Dias. Bela letra, aposto que foi um anão que a escreveu.
"O que bebemos, durante 7 dias, o que bebemos..." Duas pessoas me observam.
"...bebemos juntos, nunca sós..." Me desloco próximo ao balcão, longe da música, vamos ver o que conversam meus observadores.
"...quando lutamos, lutamos juntos, não a sós..." São informantes, agentes do Jarl. Parece que a doce Emma é mais raposa velha que imaginei. Melhor sair daqui, já tenho algo. A Cia Mercante está no porto, se alguem sabe algo sobre o que acontece aqui, eles saberão. Hah!!! Mercantes, hah. Vikings, isso sim!
"..morremos juntos, nunca a sós..." fecho a porta atrás de mim e a música cessa. Vamos aos mercadores.
Passei pelo protocolo: Fingi querer transporte, fui ao almoxarife, ele me indicou a Sra Traiane. Essa não é apenas uma raposa, mas uma raposa perigosa, pelo menos é sua fama. Bem vamos conhecê-la então.
"Senhora Traiane", pelas barbas de Onsd, que mulher imensa! "Venho em busca de transporte para Kjar", imaginem Sir Gideon nessa conversa, seria como enviar uma ovelha na caverna de lobos, hah!
"Transporte de mercadoria ou você mesmo viaja, mestre anão?" Hah, raposa velha, conhece bem a gíria dos portos.

Voltei aos meus amigos no mercado dos peixes. A gorda Traiane, líder da Cia Mercante sabe de nosso amigo vermelho. Ela nos dirá, por um preço, e até nos leva aonde o deixou, se fizermos algo por ela. Uma missão de 10 dias.
"Longe tempo, caçar grande besta antes" disse Rog.
"Vamos ter com Stenon e Malakir" disse Nadja.

Grimm.

Irmão Ulfer foi extremamente prestativo. O velho clérigo tem um carisma invejável. Me forneceu todas as ferramentas necessárias para ajustar a armadura.
No caminho da forja uma visão chamou minha atenção. Uma pira funerária estava em construção. Me aproximei.
"Irmão Ulfer, se importa que eu examine os corpos?" perguntei. "De maneira alguma, algo o incomoda?"
"Sim, mas não deve ser nada demais. Chame Malakir, por obséquio."
Três mortos. Dois eram guardas atacados por cães selvagens, na noite da besta. O terceiro era Cotarr. os corpos enfaixados em panos embebidos em óleo. Mas Cotarr, algo estranho, uma marca.
Malakir chegou e foi logo jogando seus apetrechos no chão. Já vi abutres descerem a carcaças, mas Malakir seria o rei abutre, penso eu. Médico, ele se autodenomina. Abutre-rei, eu imaginei.
"Impressionante, mais sinais mágicos. Lidamos com um gênio da invocação, a árvore deve ajudá-lo. Usei minha leitura mágica, são símbolos de captura e invocação. Creio que encontraremos Cotarr novamente! Ah, o invocador usa este símbolo que não consegui decifrar, parece religioso, suas invocações são todas em nome do símbolo. O que significa, Stenon? "
Sagrados deuses!! Que Heimdall nos proteja, o símbolo da Discórdia!! Lorac, o caos!

Rog, Nadja e Grimm retornaram. Nos atualizaram de suas descobertas e nós fizemos o mesmo.
"Bom, creio que devemos visitar as ruínas novamente." disse Nadja. "Caixa" respondeu Rog.
"Então vamos...", começou a dizer Grimm e parou. Uma estranha carruagem se aproximava. Colorida, coberta de gizos e panos, um burro puxava. Os khilasas chegavam a Kjord...

Stenon.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ó Discórdia!!!

O dia de labuta árdua e exaustiva não foi suficiente para olvidar a dor, e as lágrimas vem aos olhos da sofrida mãe. Triste memória, lembrar-se em detalhes do momento da queda, de ver o filho, pequeno tesouro de apenas cinco invernos escorregar na pedra e cair nas águas turbulentas do mar revolto. Vê-lo se erguer uma, duas vezes e por fim mergulhar pra sempre na imensidão azul escura. Nenhuma mãe deveria sofrer assim, é como ter um braço amputado, é com ter os deuses lhe virando as costas!
Irada, a mãe grita para a noite fria: "Ó Discórdia, maldita dama do caos, porque?"

E ao longe, o homem de preto sorri!

Cuidado com o tipo que anda!

domingo, 19 de agosto de 2012

Encontros, maldições, traições e fuga!


“É um fraco homenzinho sem pelo esse carniceiro.” – Pensou Rog quando examinava o necromantico com a mesma curiosidade com a qual o mago passou a noite dissecando o zumbi que trouxe consigo da batalha. Seu corpo cheirava a livros e os longos pelos brancos que desciam da cabeça de Malakir eram a única coisa de respeito que ele parecia possuir. Lembrava um pouco os velhos xamãs da tribo do Povo, mas era mais fraco e franzino. E branco! Como um coelho do mato. Aquele sem pelo não poderia ser um grande guerreiro. E a quantidade de palavras estranhas que emitia deixava Rog tonto! Ainda assim foi ele que disse tudo sobre os símbolos. Graças a tradução de Stenon, a percepção de que a conexão entre a Missão, Proteção e Condição era exatamente o ponto que faltava na cabeça do gnoll para entender que o encontro com o Louco Jack foi muito importante.
Sua cabeça ainda doía um pouco, mas os ferimentos causados pelos mortos vivos já estavam quase curados. “Apenas um arranhão” disse a si mesmo. As maquinações do Visionário Negro e Cottar Pikeson visavam libertar a Besta. Isso seria muito pior que qualquer zumbi. Segundo Malakir o ritual consistia em usar a evocação da Besta protegida por magia... “Malditos covardes!” praguejou em pensamento, “Magia de novo...”. O ponto fraco, como explicou o homenzinho cheirando a livros, era justamente impedir o cumprimento de uma das fases do feitiço. Se um deles falhasse, os heróis poderiam tratar a Besta como um inimigo de carne e osso. Um poderoso inimigo de carne e osso.
Mais uma vez Stenon traduziu o rústico – porém simples – idioma gnoll de Rog para fazer o grupo entender que o Louco Jack era possivelmente o próximo a ser morto. Ele ainda devia estar nos calabouços do Salão do Jarl e por isso mesmo o encontro com a fêmea dos Lobos Ulfhedyrs seria um evento de grande sorte! De fato, desde que a khilasa entrou no grupo uma maré de sorte se instalou.
Depois de muito confabular, a hora do lobo finalmente chegou. E com ela, o encontro com a mulher-lobo. No caminho do salão a khilasa veio dizer sobre um estranho sonho. Suas palavras eram doces demais para os ouvidos do gnoll, mas ele entendeu a descrição dos sonhos muito bem. Um homem com um sorriso na face… mas com olhos vermelhos que dizia ser a serpente. O tipo que anda. O disseminador do conhecimento. Este matava um outro sem pelo, vulnerável e louco... tudo sob o olhar selvagem de um lobo – difícil tradução para o gnoll – ou pelo menos um homem vestido com peles de lobo, e de um sem pelo usando armaduras e com porte de guerreiro.
Um vento frio e sombrio soprava do norte. Junto ameaçavam raios que serviam de anúncio para uma tempestade. Talvez por isso, assim que os componentes do grupo entraram, é que as portas foram fechadas. No Salão do Jarl estavam sentados Emma Ulfhendyrdotter no trono da esquerda e um filhote de sem pelos à direita com o mesmo cheiro da mulher-lobo. Devia ter uns 15 invernos de idade, mas observava a todos com olhar aristocrático, muito comum entre os sem pelos dos castelos. Outros soldados se espalhavam pela sala, mas entre eles haviam dois que se distinguiam. Um trajava essas roupas típicas de guerreiros sacerdotes tais como Stenon. Cheirava enigmaticamente como alguém que tem um odor que pretende esconder com outro cheiro. No entanto ninguém poderia ter um cheiro tão desprezível quanto o castelão Cotarr Pykerson que ali a esquerda demonstrava a mesma e antipática desaprovação que lhe era tão peculiar. Rog rosnou para ele. O seu cheiro era de alguma forma familiar. Mas de onde?
O filhote rompeu o silêncio se apresentando como o Jarl. Mesmo o pouco do idioma comum que Rog conhecia era suficiente para fazê-lo entender. Chamava-se Balagor Bahirson e até ter idade, era orientado por sua mãe nas artes da governança. Virou-se para Stenon e indagou:
“Por que utilizas uma espada? Nunca vi um sacerdote portar uma arma cortante.”
Stenon tem jeito para essas coisas... explicou sabiamente que era próprio dos Horns utilizar espada, assim como o próprio Heimdal. Rog imaginou que não teria a mesma sorte em explicar esse tipo de coisa ao filhote. Não possuía perícia nisso. Olhou para Balagor e este estava encarando. Fez um gesto para Rog chamando-o.
“Pus de javali!” – pensou o gnoll.
Desajeitadamente ele abriu caminho entre os companheiros e mais sem jeito ainda saudou o pequeno Jhal. Por sua vez, Balagor o indagou em língua comum, palavras aristocráticas e muito aveludadas para seus ouvidos de bárbaro. Virou-se para Stenon e disse: “Não entendo o que o filhote diz...”, mas antes que o solicito clérigo pudesse responder o Jarl retificou em um gnoll bem dito:
“Pergunto-lhe por que não está armado! Não é a cultura do Povo possuir armas para se defender nas selvas?” - E antes que Rog se recuperasse da surpresa de saber que o pequeno sabia sua língua emendou, “... E não sou um filhote. Eu sou o Jarl!”
A conversa seguiu em gnoll deixando a maioria dos espectadores curiosos, mas Cottar não ficou assim. Ele exalava ódio! Ódio e receio. E isso o traiu. Apreensivo com a conversa, mas principalmente com os olhares que o Jarl lhe lançava, avançou, dizendo:
“São vagabundos, meu Lorde! Como pode dar atenção a tais bajuladores? Não percebe que só querem ouro!”
“Não lhe concedi permissão para falar, castelão. Mas ainda assim o gnoll disse que esteve preso neste salão por ordens suas, Cottar.” – disse o Jarl.
“Esta besta estava espionando o Salão! Eu disse que não precisavam se preocupar. Já havíamos prendido o assassino. É um vendedor de ervas. Está bem guardado.”
“Ele também falou que esse “vendedor de ervas” o acusou de querer matá-lo ou entregá-lo a morte, se bem entendi a sua língua...”
“Absurdo! Uma mentira desesperada! Ninguém iria se livrar dele.”
Nesse momento a pequena khilasa tomou a atitude de falar pelo grupo e com um olhar tão doce quanto enfático lançou a Cottar seu contra argumento insolentemente como somente um de seu povo poderia fazê-lo:
“Mas se você diz que ninguém iria ser entregue, porque enviou Rog numa caixa para as ruínas infestadas de mortos-vivos?”
Cottar emudeceu. Sua garganta rubra de fúria. Cheirava a pavor, ódio e confusão. Quando ameaçou falar foi interrompido pela ordem de Emma:
“Basta! Tragam o prisioneiro!”
O prisioneiro veio carregado por guardas. Ofuscado pela luz seus olhos demoraram a reconhecer onde estava e quando percebeu a presença da senhora Emma disse hesitante:
“Mulheres nas masmorras?”
“Você não está mais nas masmorras.” – falou Nadja.
“Um anjo?! Você veio me buscar?”
E destampou a chorar. Copiosamente. Caiu ao chão com os joelhos e pedia para não mais apanhar. “Chega! Chega!” e deitou em posição fetal.
“Está louco!” – disse Cottar.
Rog avançou até o prisioneiro. Era o mesmo cheiro de urina e medo de quando estava preso junto a ele. O guarda barrou seu caminho, mas mesmo dali era possível ser ouvido. Disse:
“Tok gush!” – a saudação gnoll para algo como “noite ruim” ou “uma noite muito longa”.
“Você?” – respondeu o Louco Jack – “Você sobreviveu meu amigo? Você voltou?”
“O Povo tem honra. Mas por agora, diga a eles o porquê de você temer ser morto pela Besta. Diga toda a verdade.”
Mas o Louco Jack começou a sorrir. E do seu sorriso, onde antes havia um choro copioso, veio o som de uma gargalhada demente. Ao que todos se interpelaram e ao que Cottar franziu o olhar. O Louco disse enfim:
“Eu não vou morrer! RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ! O Visionário me disse em sonho! Eu não sou o próximo da Besta! Eu não sou o próximo da BESTA! RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ! O próximo... O próximo é VOCÊ!” – e dito isso apontou para Cottar.
De súbito uma rajada de vento acompanhada de um estrondo poderoso ecoou na cabeça de todos. Explodiu a porta do salão que havia sido cerrada quando o grupo entrou. Junto com a água da tempestade entrou no grande salão um uivo atormentado, seguido por uma Besta demoníaca com os dentes a mostra.
Cottar, aproveitando-se da confusão, puxou sua espada e num golpe veloz e cheio de fúria trespassou o estomago de Jack.
“Guardas! Protejam o Jarl!” – Gritou a senhora Emma já se levantando e buscando a porta dos fundos enquanto era escoltada por dois guardas. Os demais soldados rodearam o pequeno Jarl e levaram-no pela mesma porta. Logo, só restaram o grupo de heróis e Cottar... com a Besta.
Durante a confusão, enquanto todos se viravam para lidar com a terrível fera apenas uma coisa era certeza. Cottar não pode morrer! Nesse momento algo segurou a pata de Rog chamando sua atenção. Era Jack. E num último esforço de moribundo despejou palavras desconexas e sangue:
“Conte a todos os... pecados... deles. Fale dos... crimes! O... Visionário... não queria... isso...” – e afrouxou a mão do tornozelo peludo do gnoll. Ele entendeu o que fazer, mas quando Rog levantou o pescoço para encarar a Besta, ela havia sumido... e no instante seguinte apareceu atrás de Cottar.
Sentindo o perigo eminente Stenon começou a orar pedindo proteção aos deuses. Suas preces eram como uma canção e todos à sua volta sentiram-se mais fortes. O anão pulou para um lugar seguro enquanto Barristan desembalou um pote de óleo e arremessou na fera, mas o pote atravessou a Besta como se não houvesse qualquer matéria ali e quebrou no chão espalhando óleo por toda a parte. Nadja pôs-se entre a fera e Cottar e Malakir tomou seu flanco. Ambos sabiam que a fera não os atacariam, porque o símbolo da Missão obrigava a Besta a atacar apenas e tão somente seu objetivo. E este era Cottar!
“Os homens sem pelos assassinaram as fêmeas covardemente com veneno!” – Disse Rog para a Besta.
“Seu maldito!” – Soou a Besta dentro da cabeça do gnoll enquanto ela o olhava com ódio.
“Um outro assassinou seu próprio irmão!”
“Desgraçado! Vou decepar sua cabeça com os dentes!”
“O bardo era um violador imundo, comprava ervas desse louco que estava aqui agora para evitar que as moças continuassem a linhagem!”
“Seu bosta! Vou quebrar seus ossos e comer seu coração!”
“ ... e o pai que assassinou o filho de seu filho... “ – Disse emendando o último crime – “... e Cottar encobriu tudo ardilosamente!”
Mas então a Besta sorriu dizendo “Idiota!” e virou-se para Cottar desferindo-lhe uma mordida que arrancou um pedaço de sua perna. Cambaleando e aos gritos o castelão contra-atacou com sua espada. Certeiro, mas novamente um golpe que atravessou o ar, pois a Besta possuía a evocação do símbolo de Proteção e era imune a qualquer arma.
Malakir debruçou-se sobre Cottar ferido e segurando em sua cota de malha gritou:
“Qual foi o seu crime?”
“O que?” – replicou aflito o castelão.
“QUAL FOI O SEU CRIME?” – Esbravejou o minguado necromante que naquele momento parecia ter tirado uma força sobre-humana ao levantar Cottar pelo colarinho da cota.
Apavorado Cottar sussurrou qualquer coisa no ouvido de Malakir, mas recebeu outro golpe da Besta enquanto conversavam. Dessa vez a mordida da fera arrancou o braço e um pedaço do peito do castelão, juntamente com o que havia sobrado de vida naquele corpo ensanguentado.  Cottar morreu ali enquanto outra parte de si perdia os movimentos a cinco metros mais adiante.
“Vocês serão os próximos!” – Ecoou na cabeça de todos a fala infernal da Besta e então uivou:
AAAAAAAAAAAAAAOOUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!
Enquanto os heróis tapavam seus ouvidos dois cães infernais entraram no recinto, prontos para atacar, mas Malakir começou a gritar para a Besta:
“Eu sei de tudo! Dos homens que assassinaram suas esposas com veneno, o irmão que matou o irmão, o bardo estuprador e o avô que matou a filha para não ver nascer o neto! E sei... que Cottar matou Bahir, o grande Jarl, pai de Balagor!” E isso foi muito corajoso. Afinal, o homem com cheiro de livros era mais forte do que aparentava.
E a Besta perdeu sua aura brilhante e o tom fantasmagórico que a cercava agora se tornou concreto e palpável... como Barristan sentiu assim que enfiou-lhe um golpe certeiro no lombo. A Besta gritou de dor! E novamente outro golpe que lhe rasgou a parte posterior. Sangue que jorrava e a Besta se debatia. Seguiu-se uma batalha feroz até que a fera perdeu a paciência e determinou que era o momento de acabar com todos. Usando-se de seu uivo infernal possuiu por instantes a mente dos heróis fazendo uma parte correr como loucos, com medo de sua presença, enquanto Sir Barristan começou a defendê-la como se ela fosse sua amiga. Mas, de repente, ela sentiu algo no ar. Estremeceu e amaldiçoou e voltou-se para os heróis dizendo:
“Isso não acaba aqui! Eu voltarei... por vocês todos!”
E sumiu correndo pela porta a fora, levando seus cães consigo.

Rog presa sangrenta!