Ato III: Salão dos mortos de Barka.
O salão vazio ecoa os passos apressados de Irmão Berk. Ele
bate na porta do seu suserano, o Jarl Ordi Bjorkman.
_ Entre Berk.
_ Meu jarl, trago notícias do acordo. Deseja saber agora?
Disse Berk, olhando de soslaio para a bela mulher do Jarl, Ulrika, que estava
sentada em uma cadeira penteando os longos cabelos cor de ouro.
_ Diga logo Berk, minha dama precisa saber dos arranjos,
pois ela irá me representar.
_ Sim, meu jarl. Os druidas de Dimmor concordaram com o
encontro. Eles pediram uma semana de prazo para agruparem os seus líderes,
mas...
_ Diga logo homem!
_ Os arquedruidas de Liten e Isamooth não foram encontrados.
Os mais velhos irão atender ao encontro, mas eles decidiram qualquer coisa em
conselho, dada a falta de liderança formal.
_ Você acredita que seja uma retaliação pelo fato de eu não
comparecer?
_ Segundo Mestre Konseye, não. Ele teme pelo pior, que algo
tenha afastado os arquedruidas de sua, herr... função.
_ O grupo que vocês enviaram deu alguma notícia? Sinto falta
de meu castelão, os demais parecem estúpidos e lerdos sem a presença de
Oandlig.
_ Ainda não meu jarl. Eles devem estar em Heldren ou pouco a
frente em direção a Vaast.
_ Então está resolvido! Enviarei Ulrika acompanhada de dois
de meus generais. Eles irão apresentar minha proposta e ouvir a resposta do
conselho dos anciões druidas.
_ Sim, meu jarl. Farei os preparativos para a viagem dentro
de 1 semana. Com sua licença...Senhora...
A passos apressados Berk deixa os aposentos do jarl. Em sua
cabeça ele começa a concordar com Konseye: Essa mulher é problema!
Ato IV: Heldren, pouco antes do amanhecer.
“Minha perna ainda lateja devido ao corte sofrido, e mesmo
que não o tivesse, seria uma noite de difícil sono. Meus companheiros tem resto
de noite agitados, acredito que poucos conseguiram efetivamente dormir.
Quanto a mim, preciso registrar tudo o mais precisamente
possível. Nunca em meus anos de estudo em Kjar, ou mesmo depois de minha vinda
a Barka, imaginei que pudesse aprender tanto em tão pouco tempo longe dos
livros e escritos de meus aposentos. Uma coisa é ter livros descrevendo os
mortos vivos, outra é ter sua perna dilacerada por um deles, que acredito ser
um fantasma, agora que meus nervos me deixam pensar mais claramente.
É impressionante o entendimento tácito que os khilasa
demonstram das fendas ou lúminas, como eles as chamam. Com um pouco da conversa
de Yammie, a khilasa Alcyone já conseguiu ligar os pontos. Nenhum livro ou tomo
fala exatamente o que ou como os arquedruidas protegem a ilha. Claro que existe
relação em seu trabalho e a temperatura da ilha e o aparecimento dos mortos
vivos, mas que eles podem estará guardando fendas Bifrost, e que a simples
ausência deles poderia fazer com que elas se reabrissem? Como no sonho da
pequena Cosmina, onde três portas apareciam e uma delas estava aberta. Torna-se
imperativo agora identificar o local desta ruptura (e aqui acredito que a
pequena menina possa ser a chave, pois ela parece ouvir um ruído quando os mortos
vivos aparecem, e talvez o ouça também próximo à fenda), e fechá-lo. A pergunta
é como fazê-lo sem os arquedruidas! Até agora não temos pista sequer de seu
paradeiro.
Me intriga ainda a forma como os fantasmas (sim, estou
seguro de que eram fantasmas) se foram, mesmo que por apenas alguns segundos.
Eles foram atraídos pelos mannem no andar superior, ou o grito da menina os
expulsou como faria um clérigo dos deuses?
Que mistérios guarda essa pequena khilasa?
Ah, minha perna... devo procurar um curandeiro entre os
mannem, voltar à Barka não é opção no momento.
Diário de Oandlig, o castelão.


