segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Não se ganha uma batalha com veneno!!


Rog se preocupou mais quando ficou sabendo por Stenon que no meio dos escravos que estavam presos no ancoradouro clandestino havia um do Povo. Grimm foi bem detalhista quando disse que a alma de seu irmão estava quebrada e ele não via sentido em resistir. O anão se mostrou valoroso mais uma vez ao fugir do cárcere e vir trazer todas as informações valiosas, mas agora era preciso agir rápido!
O plano já estava definido. Rog não compreendia muito bem como os sem-pelos poderiam ser tão covardes a ponto de preparar um veneno derramar no poço. Isso só poderia ter saído da cabeça de algum humano desonrado. Ainda que o gnoll não renegasse o valor de seu uso, veneno e magia não são armas de um guerreiro.
Mas o plano era bom. Entrar na calada da noite em barcos de pescadores pelo cais, esgueirar-se até a casa onde os escravos estavam e com a ajuda de alguma magia que os fariam passar despercebidos, livrar a todos. Derramar o saco com a emulsão que o mago cheira-à-livros havia preparado no poço e fugir de volta pela água levando os escravos. No meio dos pensamentos simples do jovem gnoll, um plano de tão simples execução sempre é a melhor alternativa, porém não entendia porque demoraram tanto para concebê-lo.
No decorrer da noite, viajaram pela água beirando a praia. Logo ao chegar próximo ao acampamento perceberam que nada seria tão simples quanto o plano deixou transparecer. Os contrabandistas estavam preparando para deixar o acampamento e estavam carregando seus drakkares com tudo que ali havia. O movimento era intenso e não parecia que ia se estender pela noite toda. No entanto, a fêmea Kilhasa avistou uma caverna próxima a um lugar ermo e então o grupo rapidamente se esgueirou por entre as fendas. Encontraram uma pequena enseada com um barco de fuga escondido. Rog farejou alguns pertences ali e entre eles alguma ração, adagas, pederneiras e um cobertor. Nesse meio tempo Grimm encontrou um buraco no teto da pequena caverna e subiu. Rog o seguiu.
O buraco saia entre alguns arbustos logo abaixo de uma torre de observação do acampamento. Grimm fez sinal para Rog ficar e se esgueirou furtivamente para a torre. Dois vigilantes desatentos. Fácil demais para o anão, mestre na arte da emboscada. Rapidamente e com a habilidade de ser silencioso, o anão deu cabo do primeiro vigia e subiu para derrubar o segundo. Enquanto este estava grunhindo no chão, Rog chegou para quebrar-lhe o pescoço e finalizar sua dor. Despiram-nos e os demais se juntaram aos dois na torre. Nadja ficou no barco de vigia à porta da caverna e Malakir na parte de dentro para o caso de uma saída rápida. Stenon e Barristan se disfarçaram tal como Grimm havia feito antes. Este já havia avançado furtivamente. Stenon lançou uma magia na espada de Barristan e tudo ficou silencioso a sua volta. Ainda bem, pois Rog já não suportava mais ouvir tantas discussões sobre o próximo passo a ser dado. Eles precisam agir com muita presteza ou...
Um grande clarão chamou a atenção de todos! A casa onde os escravos haviam sido trancafiados havia sido passada nas tochas. Seu telhado em chamas oferecia um espetáculo de terror. Rog se precipitou a corre, mas Barristan o deteve. Ele fez vários sinais para que Rog o seguisse. O gnoll mesmo sentindo a urgência correu atrás do guerreiro sem-pêlos e seu amigo clérigo. Logo os dois pararam para mais uma vez discutir, dessa vez em sinais, quando um soldado veio para o lado deles. Armas foram desembainhadas e uma luta começou. “Não há tempo para isso” – pensou Rog que deixando seus dois amigos cuidarem dos soldados correu como um louco para a casa em chamas. Pela velocidade e peso do corpo de Rog, fácil foi quebrar a parede de madeira com o impacto. Uma porta se fez e o gnoll se viu dentro da casa em chamas com um alçapão ao fundo. Usando seu machado ele abriu a porta no chão e várias pessoas em pânico começaram a sair. Seu irmão gnoll estava lá também. “Mais um?!” gritou ele confuso.
“Irmão, sai já! Não há tempo a perder. Leve essa fêmea sem-pelo com você.”
Tomando-a no colo o gnoll aquiesceu e respondeu:
“Ainda há dois amarrados lá dentro.”
E correu. Barristan e Stenon entraram pelo buraco feito por Rog e começaram a ordenar a fuga dos escravos. Rog desceu a porão e cortou as cordas que prendiam dois escravos. Um era um Aruk. O outro um normando. Ambos torturados até a exaustão. Rog os colocou nos ombros e correu. Saindo da casa em chamas percebeu a mulher que havia confiado ao seu irmão gnoll jogado no chão, tonta, e percebeu que não havia honra também em alguns do seu próprio Povo. Colocava a mulher de braço dos braços quando ouviu gritos vindos do porto. Os homens que haviam entrado nos drakkares tinham percebido a tentativa de fuga e armavam suas flechas contra eles. Seriam um chuva vinda de céu com suas pontas afiadas atravessando a todos, mas no último instante, ouviu-se um estrondoso BUUUUUUUM!
Rog, não pode dizer com certeza, mas percebeu um anão se esgueirando pela proa do barco e pulando ao mar antes da explosão. Algo dizia a ele que isso era mais uma armação de Grimm. O mestre anão realmente sabia usar de sua frieza para resolver as coisas com grande estilo.
De volta aos barcos, a meio caminho de volta, foi que os heróis perceberam que a emulsão não foi atirada ao poço. Como Rog havia pensando, grandes vitórias não se ganham com veneno e sim com coragem.
O escravo humano desmaiado finalmente acordou. Grimm disse que ele era o verdadeiro Ulic. Ele se mostrou muito grato e em débito. Quando chegaram à vila, os heróis encontraram um grupamento de anões no dia seguinte. Podendo estes ficar na vila para dar cobertura a um eventual ataque vingativo por parte dos contrabandistas, o grupo decidiu por ir a atrás do Viajante Vermelho mais uma vez, rumo a torre na floresta assombrada.

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