Levanto-me só em um salão escuro! Dois corpos me fazem
companhia. Ulic, o companheiro de Grimm e um outro homem, velho, desconhecido. Nem
sinal de meus companheiros ou da criatura monstruosa que nos atacou.
Com o corpo rijo ainda agonizando do veneno da aranha,
arrasto-me a vasculhar a sala que me encontro. Nada! Espere... Uma passagem
oculta na parede! Pressiono a parede em um local específico e aí está, uma
escada subindo em espiral. Imagino que mais uma sala vazia me espera, mas vale
a pena procurar.
Não era tão vazia como esperava! Dois túmulos, um aberto,
com a tampa de pedra deslizada formando um vão grande o suficiente para ver que
o esquife está vazio. O outro fechado! Sinto minha cabeça pesar, e de repente a
sala parece mudar ficar mais nova, as teias de aranha somem, a poeira
desaparece. Em meio a sedas e cortinas do mais fino tecido, vejo ela, uma khilasa
bonita, com olhar profundo, acariciar um felino negro.
“Quem é vc? Onde estou?” pergunto.
“Sou apenas uma memória criança! Uma mente que se recusa a
descansar seu ultimo descanso. Sou Vishu e sou nada, pois morri faz muitos
séculos! Vc apenas entrou em contato com minhas memórias, como kah determinou!”
“O kah é inexorável! Mesmo após tanto tempo.” respondi.
“O tempo é uma face na água! Mas tome o seu. Traga-me o
viajante vermelho, pois ele sofreu em meu nome, mais do que sua frágil mente
humana poderia. Dê conforto ao espirito do outro que também morreu.”
“Há um monstro afora, não tenho condições de lidar com ele.”
“Ela não está lá. Vá e volte!”
Após cuidar dos mortos, um enterro novo para Ulic e um
antigo para Harak (esse era seu nome), volto à sala das tumbas, cansada, com a
mente pesada.
“Você terá dificuldades de lembrar de tudo! Isso acontece
pois não está acostumada a leitura da mente. Mas tente lembrar disso: Stenon
terá força para cancelar a magia do servo da Discórdia!”
“Stenon, meus companheiros, onde estão?”
“Não se preocupe, voltarão! E vc responderá suas perguntas!”
“Derrotaremos a Discórdia?”
“A verdade é uma coluna com um buraco no meio! Eu não sei!”
E assim desaparece minha ancestral!
Nadja,
Lordag, 23 de Zári de 417 - Outono.
Nadja,
Lordag, 23 de Zári de 417 - Outono.
