terça-feira, 10 de setembro de 2013

Uma decisão difícil!

 - Quem é você?
"Meu nome é Maeve. Eu sou um dos lordes dos Arak, princesa dos Shee. Recentemente eu deixei meu reino pela fenda, fugindo de meu irmão Loht."

- Quem são os Araks?
"Vocês nos chamavam Ljósálfar, mas nós somos os Arak. Nós podemos viver por milênios, ainda assim éramos poucos nessa terra e nos cansamos desse mundo. Enquanto seu povo tomava as planícies e florestas, procriando, nascendo e morrendo, nós éramos poucos e vivíamos ao norte daqui. Nós também não somos todos parecidos como vocês, nossa raça varia mais em formas e ofícios. Já não havia mais do meu povo entre os seus, salvo alguns que porventura atravessaram, mas agora eu e alguns aliados atravessamos. 
Ljósálfar é aquele que brilha mais que o sol, e nós o servíamos e o seguíamos. Foi ele que nos deu a missão."

- Que missão?
" Antes éramos uma única corte sob meu pai Erking, até que ele morreu. Agora somos divididos, pois meu irmão nega nossa missão. Aquele que brilha mais que o sol nos deu a missão de guardar o portão da morte, onde Hella, uma divindade de morte e podridão, foi aprisionada. O portão da morte está trancado em um outro lugar, outro plano de existência, e meu povo migrou para lá para protege-lo. Durante muito tempo recebíamos a visita daquele que brilha, mas após um tempo ele não veio mais. A influência de Hella passou então a ser sentida, e nosso plano se tornou lúgubre e sombrio, e parte do meu povo tomou gosto pela necromancia e pela morte. Nos últimos anos, meu irmão começou a ouvir vozes, e decidiu abrir o portão. Fugi para que ele não pudesse faze-lo."

- Quem é seu irmão? E como você impediu que ele abrisse o portão?
"Loht é meu irmão, e ele é o outro lorde dos Arak. Ele é o portador da Espada dos Araks, que foi de meu pai, e eu a portadora da Coroa dos Araks. Juntas elas forma a chave de obsidiana, e podem abrir o portão. Quando fugi, escondi a coroa onde meu irmão menos espera e ele crê que eu a tenho e por isso me procura e por isso ergui as defesas ao redor de meu refúgio. Não ouso tentar recuperar minha coroa, pois ele vigia todos os meus passos."

- Quem atacou a vila? O que se passa com o povo de lá?
"Pelo que sei foram os Muryan, um dos araks que seguem meu irmão e a corte dos Sith. O povo de lá foi transformado em alterados."

- O que são os alterados? Isso pode ser desfeito?
"Meu povo acredita que ser transformado em alterado é a maior honra que um dos seus poderia receber, pois assim, descarregado das distrações sem importância, vocês podem se tornar verdadeiros mestres naquilo que fazem, e assim criar maravilhas em nossa homenagem. Pode ser desfeito, mas não entendo porque alguém iria assim desejar."

- O que seu irmão pretende? E como impedi-lo?
"Ele irá usar a coroa e a espada para abrir o portão e libertar Hella, que terá então livre acesso a essa terra. Como eu disse, não posso recuperar a coroa, pois meu irmão me perceberia, mas vocês talvez possam faze-lo já que não representam ameaça a ele e provavelmente passariam despercebidos. Se recuperarem a coroa, levem-na ao portão e a atirem lá. Como que passando a chave por baixo da porta, onde ninguém poderá usá-la, pois é um item de luz e Hella e seus lacaios não podem tocá-la. A espada será então inútil para abrir a porta e meu irmão nunca o fará."

- Temos como fechar a fenda!
"Rogo que não o façam, pelo menos não antes de fechar o portão e antes que eu chame todos do meu povo. Aqueles dos meus que permanecerem serão aprisionados pela corte de meu irmão, e eventualmente meu irmão encontrará a coroa e abrirá o portão. Mesmo que a fenda esteja fechada, Hella poderá exercer sua influência, clérigos malignos ouvirão seu chamado, até que outra fenda seja aberta e então sua terra sofrerá. Rogo pelos meus e pelo futuro dos seus."

- Onde está a coroa?
"A coroa está na chama sagrada no palácio de Malaquita, atrás do trono de meu irmão. Lá ele não pode detectá-la, por isso pensa que está comigo. Mas meu povo vive muito, ele a encontrará. Vocês devem ir até o palácio, e se assim o fizerem eu desfarei os alterados de seu povo. Posso levá-los até a fenda! Lembrem-se de prestar homenagem a Erking dos Arak antes de entrarem no palácio de Malaquita."

- Vamos pensar e descansar. Decidiremos com nossas energias repostas!





terça-feira, 3 de setembro de 2013

Diário de missão de Alberich Von Hooves

Para o fim de ser documentado nos autos oficiais do Reinado do Norte, pela ordem de Sua Majestade o Rei Erik Olson, o Unificador

Dia 24 de rijen do ano de 418, do Reinado de Erick Olson
Vila de Sjoistad, às margens do Grande Lago Sjois

Prosseguimos em nossas investigações naquele lugarejo ainda afastado das luzes do conhecimento. A cada local que visitávamos, o quadro se repetia: seres humanos se comportando como máquinas, desempenhando as tarefas rotineiras de suas existências sem sentido de forma absolutamente vazia. A questão da ausência de sombras também persistia. A julgar pelo ritual mágico que parece ter sido realizado no templo de Njord que esses ignorantes veneram, a ausência de livre arbítrio está ligada à subtração de suas sombras. Esta é apenas uma hipótese.
Conforme narrarei mais adiante, conseguimos colher informações provenientes de uma carta dentro de uma garrafa e de um sobrevivente, sendo que ambos relataram os fatos se utilizando das mesmas expressões, ainda sem sentido para nós.
Disseram em resumo: Os agressores foram nomeados “Homens Dançantes”, de hábitos noturnos, portando cimitarras e atacando, sem matar suas vítimas. A expressão “dançantes” parece ter relação com a forma como lutam, o que indica que não devem ser brutos imbecis como orcs ou semelhantes. Eles são precedidos por criaturas semelhantes a cães, que agem como batedores e tem a habilidade mágica de cuspir fogo. Foram descritos como espécimes humanóides, pálidos e sem pelos, exceto os crescentes na cabeça. Usam poucas roupas, incongruentes com o clima da região, o que me leva a suspeitar de sua natureza humana. Hei de pesquisar mais sobre o assunto quando me for possível. Hei de encontrar algum registro sobre seres com semelhantes características.
Tais criaturas apresentam um interesse específico pelo cemitério da cidade. Eles desenterram corpos e se vão sem deixar rastros possíveis de serem seguidos. Não é possível precisar a real situação, tendo em vista as informações conflitantes. A princípio, teorizei que essas criaturas pudessem ter natureza não maligna, tendo em vista que poderiam ter eliminado os moradores do vilarejo sem problemas, mas não o fizeram. Como também não os escravizaram, poderiam apenas tê-los tirado de seu caminho enquanto realizavam seu intento - ainda por nós completamente ignorado – nas escavações no cemitério. Eles poderiam estar escavando os túmulos, inclusive, para eliminar algum mal ou risco iminente. (Nota: Pesquisar também sobre as conjunções astrais para verificar se algum marco cósmico de relevância se avizinha).
Porém, a forma como isso foi feito, ou seja, o ritual profanando o templo do deus do mar indica um desrespeito pela cultura e a forma da magia não me agradam. Me parece mais magia profana do que arcana, esse “aprisionamento de sombra” ou de “alma”, entretanto, uma conclusão de valor demanda mais dados. Muito me intriga que o ranger que nos acompanha, sendo um nativo destas terras, desconheça total e completamente a existência de tais seres, ou tenha qualquer informação sobre estes fatos. Levando em conta que ele fora muito bem recomendado pelo líder dos Vet Ulf, de forma que, creio que, se ignora sua existência, estas criaturas são novas na região. Tomara que seja mais do que um mero guia matreiro.
São informações conflitantes as que temos até agora. Dados mais precisos precisam ser coletados, selecionados, catalogados e relativizados. Ainda é cedo para definir amigos e inimigos. Por enquanto, apenas considero tudo suspeito. De resto, sabemos que há um monstro gigante no lago que nada perto das docas. Não sabemos que tipo de relação tal monstro tem com os fatos ou mesmo se há alguma relação, mas é fácil concluir o motivo de esses camponeses/pescadores venerarem o deus bondoso do mar, posto que serão crentes de que ele seria capaz de apaziguar a besta aquática.
Não sabemos também nada a respeito dos goblinóides que proliferam como moscas numa carcaça, floresta afora. Vossa Majestade precisa ser informada sobre esse fato para que providências sejam adotadas. Há pessoas vivendo nestas terras e como pagadoras de impostos, merecem ser protegidas. Ainda mais porque a proliferação de pragas dessa natureza denota uma das duas coisas a seguir ou mesmo ambas: Descaso das autoridades e/ou o oportunismo da maleficência, que se aproveita de outro fato ainda maior para estender seus tentáculos. (Nota 2: Informar ao Reinado sobre este fato).
Sabemos ainda que há uma criatura nomeada como “Bruxa Branca”. Certamente os pescadores lhe deram esse nome por sua aparência. A julgar pela descrição que dão dos tais “Homens Dançantes” pertencem à mesma espécie. Mais tarde, descobrimos que sim, que eles mantém relação, inclusive de subordinação, posto que eles a chamam de “Senhora”.
Vamos aos fatos:
1 – Investigando uma casa parcialmente queimada, o druida e eu encontramos quatro corpos carbonizados. Enquanto o druida investigava o motivo do incêndio, me ocupei de um dos corpos, que era de uma fêmea de nossa espécie, a julgar pela ossatura. Enquanto investigava percebi uma presença, que se apresentou na forma de uma luz piscante que aparecia e desaparecia em meu campo de visão.
Rog, o gnoll em processo de civilização, chegou momentos mais tarde, mas nisso, eu já sentia a ameaça no local. Um feitiço de detectar magia, acusou perturbação na Trama naquele lugar e como eu não enxergava nada, decidi que seria melhor me retirar, mas fui atacado por uma aparição flamejante.
A entidade ostentava um semblante de ódio e parecia personificar a dor dos que ali morreram carbonizados ou pior ainda, parecia ser o espírito torturado de algum deles. Fato é que se lançou sobre mim com chamas que destruíram minhas vestes e lamberam minha pele, causando dor excruciante.
Sir Gideon, o paladino de linhagem nobre, se aproximou com suas boas intenções, porém, de nada adiantaram suas preces, posto que, contra magia, apenas magia é suficiente e deuses e espíritos nada podem. Dissipei a magia e o fogo se apagou, porém, a criatura continuava a assediar a trupe. Não sou ligado a questões abstratas e inseguras como as relações com seres noutros planos e dimensões, mas, concluí que, pela sabedoria popular, aquela manifestação de ódio poderia apenas estar buscando descanso.
Sugeri que recolhêssemos os corpos e os depositássemos em solo considerado sagrado pelos crentes. Parece ter funcionado, pois retornamos ao local e não havia mais sinal da entidade. Torço para que tenhamos resolvido o problema, tendo em vista que algo dessa natureza poderia ser letal à população comum e as autoridades locais, pelo visto, não tem estrutura para lidar com algo mais complexo que o roubo de gado.
2 – Vasculhando a parte superior da vila, fomos surpreendidos com a presença de uma criança fugidia. No início achamos que poderia ser um inimigo, mas depois percebemos que não, pela atitude. Os rastreadores o encurralaram numa casa mais à frente e após encantá-lo, ele contou sua história triste, que já foi relatada, em resumo, em minhas considerações anteriores. O garoto, de nome Kian, confessou ter uma irmã que se perdeu na floresta em busca do ser denominado Bruxa Branca. Após alguma discussão, na qual argumentei que deveríamos observar o local de interesse dos “Homens Dançantes”, e a maioria gostaria de vasculhar a floresta em busca da menina, me rendi e prosseguimos caçando a menina perdida e a tal bruxa.
3 – Os rastreadores encontraram a trilha da criança, que havia sido importunada por goblins em sua busca, mas fora salva por uma muralha mágica de poder considerável e além de minhas capacidades arcanas de dissipação. O druida então nos deu uma mostra de aguda perspicácia! Ele concluiu, pelo cenário e, obviamente por sua vivência mágica, que a criança entrara por acidente, fugindo acuada por seus ignóbeis perseguidores, acabou atravessando a muralha. Sugeriu então que tentássemos passar de costas. Surpreendentemente, funcionou! Graças à esperteza do homem da Ilha, conseguimos transpor o primeiro obstáculo.
4 – Nos deparamos com o segundo. Uma muralha de névoa que era, na verdade, um feitiço de desorientação. Identifiquei isso através de magia, mas, novamente, meus poderes eram insuficientes para dissipar o feitiço. Adentramos na névoa e nos perdemos uns dos outros. A névoa sufocava e tantas vezes quanto tentamos, falhamos. O garoto Kian foi o primeiro a desaparecer permanentemente de nossas vistas. Permanecemos envolvidos com esse enigma metade da noite.
 Dessa vez Sir Gideon foi o perspicaz e concluiu que se não respirássemos a névoa, ela não nos afetaria. Tal fato foi confirmado, o que exigiu grande esforço de todos para transpor a névoa prendendo por longo tempo o folego.
5 – Rog, Stenon e Gideon passaram primeiro e se depararam com um riacho. Cheguei em seguida e fui sucedido por Olaf, o ranger e o druida, que demoraram mais a se “entregar à morte” para transpor o enigma da névoa. O riacho era claramente mágico. Suas águas frias escondiam algo misterioso e decidimos que o melhor seria transpô-lo sem riscos e o forte Rog derrubou uma árvore que fez as vezes de ponte para atravessarmos.
6 – Passado o último desafio, avistamos algumas colinas à frente, uma língua de fumaça subindo aos céus. Caminhamos até lá e encontramos uma choupana tosca. Uma criatura cuja descrição casava impecavelmente com a dada pela criança sobrevivente da vila se mostrou a nós saído das trevas do interior da cabana. Vinha caminhando com passos leves. Portava a cimitarra característica já antes apontada. Veio a nós e disse: “Já era hora. A Senhora os espera e quer lhes falar. Por favor, entrem e tenham a bondade de aguardá-la.”.
O humanóide falava uma língua antiga, parecida com o elegante Khad, dos anões. Isso, de per se, denotava erudição. Percebi por que os ignorantes chamaram-nos “Homens Dançantes”, haja visto a graça e leveza de seus movimentos. A mim, numa primeira e despretensiosa impressão, se assemelham aos Kihlasa, com algumas variações. O fato de não os ter visto à luz do sol me incomoda. Geralmente isso não é um bom indício. A índole dos seres da noite costuma ser tão sombria quanto seu ambiente. O uso de alta magia é outro indício de erudição e de proximidade com os velhos eldar do sul, mas, conforme eu já disse, ainda é cedo para conclusões.
Escrevo estas notas enquanto aguardo pela chamada “Senhora”, que, com grandes chances de acerto, me arrisco a dizer que é a mesma criatura nomeada de Bruxa Branca. Meus companheiros estão apreensivos e se comportam conforme suas naturezas. O gnoll bebeu dos frascos na prateleira sem que lhe tenha sido oferecido ou permitido. Stenon se aninhou num canto orando à sua divindade. Tomara que seja lá o que for, que o ouça. Gideon vai de um em um oferecendo seus préstimos. Devia descansar, isso sim. Não sabemos o que nos espera. O ranger se mantém taciturno e quieto, como é da natureza desses matreiros. O druida estuda seus feitiços naturais.
Todos aguardamos pela Senhora...

Vejamos o que a Trama guarda para nós.