domingo, 31 de março de 2013

No caminho da Discórdia

“E a Discórdia ainda trabalha, ainda busca atrasar o retorno do conhecimento, e ao me ouvir, vocês atravessam seu caminho.”

A frase de Harak ecoa em minha mente. Agora de frente ao salão de Kjord, homens armados e apreensivos  nos vigiando, Lady Emma nos fulminando com um olhar de ódio, mal posso compreender os momentos que nos levaram a tal situação.

A dois dias atrás tudo corria bem, Dagalor havia nos entregado runas anãs, criadas pelo Cinzel de Uru, uma das antigas relíquias da 2ª era do mundo. Uma delas seria usada para anular a magia de enganação do Visionário Negro. Meu pai, o general nos presenteou com duas espadas de Estocol. De lá partimos para alguns reabastecimentos e a noite fomos ao encontro dos Khilasas. Aí as coisas começaram a ficar estranhas. 

Foi uma bela festa, mas o final foi estranho e cheio de revelações. Conhecemos Sonja, uma anciã khilasa, que não aparentava ter mais que 40 invernos de idade, parece que os khilasa não envelhecem como nós.
Ela nos apresentou o Deck de Coos, um conjunto de cartas que auxiliam os khilasa a predizer os caminhos do kah (acho que nunca conseguirei entender esse conceito, seria destino, caminho ou algo mais?). Segundo Sonja, havia um poder incomum no baralho aquela noite, como se as forças do kah estivessem convergindo naquele lugar naquele momento. A oferta foi simples: "Retirem uma, duas ou nenhuma carta, mas saibam que o kah pode indicar bem-aventuranças e desgraças."

Todos decidimos arriscar. E fomos retirando as cartas um a um.

Rog retirou a carta O Tolo. "Você tem dúvidas gnoll, dúvidas que o impedem de agir. Medos enraizados e dúvidas devem ser enfrentados ou sua busca se frustrará. Retire outra carta, pois o Tolo requer maiores explicações."
Rog retirou a carta A Chave. "Uma grande recompensa lhe será ofertada, e se vencer seus medos e dúvidas, ela lhe tornará melhor e o recompensará por suas perdas."

Grimm retirou duas cartas. A Jóia e A Lua. "Grandes riquezas estão em seu caminho, cuidado em avaliar seu real custo e valor. A lua sorri sobre seu kah, e sua vontade em noites de lua será forte."

Nadja retirou A Força. "Minha jovem khilasa, a força de um cometa marcou sua chegada. Em momentos críticos sua principal habilidade será testada e evoluirá até se tornar incomparável."

Barristan retirou A Lua...  "A lua sorri sobre seu kah, e sua vontade em noites de lua será forte. Cuidado com o que desejas." ...e a e a Roda da Fortuna. "Vejo suas mãos atadas e sua mente paralisada em um fundo negro. Não enfrentes a escuridão ou terá sua vontade tolhida." A face de Barristan demonstrava preocupação.

Stenon retirou O Tolo. "Sua principal missão é combater o caos. Dúvidas se apresentarão em seu caminho, pois o caminho da ordem é difícil de ser trilhado. Não fuja dele. Retire outra carta, para que seja explicado." E Stenon retirou A Chave. "A tu será revelado o segredo do templo de Rirg, desde que trilhes o caminho da ordem."

E então fui eu. Jester. "Sua convicção é impressionante. De todos é o único seguro de seu caminho, do seu dever neste mundo. Mesmo sendo um caminho escuro e perigoso. Retire mais duas cartas se quiser conhecer seu kah." Eu retirei: Chamas e Discórdia. "Você atrairá a inimizade de um ser de outro mundo, e ele é um servo do caos. Você não pode superá-lo!" Mesmo assim tentarei, respondi. "Eu sei, sua convicção lhe levará por um caminho duro." Neste momento, Nadja avançou sobre o baralho, impulsionada por um força invisível, inexplicável. Ela retirou uma carta: O Necromante, o visionário negro.

Depois da noite cheia de revelações, nos encaminhamos para Kjord, como primeira parada até Sjoistad. Dois homens nos acompanham, dois mercadores de Eiden Zuid e Kjar. O intuito era passar uma tranquila noite na vila e partir no dia seguinte para o norte.

Mas não foi assim! Rog vagou na noite e descobriu que seus conterraneos foram mortos por homens usando o símbolo da casa Ulfendyr. Barristan teve uma briga com sua amante, capitã Liv de Kjord.
Aliás, foi ela que veio nos abordar e nos levou quase a grilhões para a presença de Lady Emma. Indignados, percebemos a mão do inimigo em tudo isso. 

Temos de ser fortes!

Sir Gideon Ulfednarson.
13 de Rijen de 418.


sexta-feira, 22 de março de 2013

KAOS


A cada passo que damos sinto que o Kaos invade o ar e devasta o equilíbrio natural do mundo. O Povo está em perigo e meu pelos estão se arrepiando mais freqüentemente. Essa abominação mágica da qual os covardes sem pelo fazem uso é a ferramenta para a devastação. Isso precisa ser detido a qualquer custo. Mestre Huo tinha razão quando disse que muito precisava ser aprendido para que o verdadeiro mal fosse de fato apresentado. Quando o pequeno mestre anão nos revelou que as rochas negras têm o poder de abrir os Cinco Portais, compreendi o motivo pelo qual meu Mestre sempre foi cuidadoso com a sua arte mágica. Nas mãos erradas ela pode causar grande mal e caos. Será esse o motivo pelo qual os sem pelos guardam tantas pedras e artefatos inúteis dentro de suas tocas? Talvez tentem tirar de circulação todos e qualquer resquício de artefatos mágicos, sejam eles amuletos, pedras ou bosta seca. Não vou pensar sobre isso agora. O tal general rancoroso pergunta pouco, mas é sempre direto e conciso no que questiona. Sua voz é adequadamente rouca para nós. Talvez possa arriscar conversar com ele no idioma comum ao Povo depois. Ele diz que novas armas podem ser providenciadas a nós. Pelo visto nossa nova missão será muito mais complicada do que já nos foi possível ser até então. Será que todas as minhas cicatrizes foram apenas uma brincadeira de filhote? Sim!!! Até que enfim um desafio que possa consagrar o guerreiro. O objetivo e a glória! Tudo em um único caminho. Tal como explicou o estranho khilasa que lembra nossa amiga Nadja. Senti nele algo estranho, quase como a magia. Mesmo possuindo um aroma adocicado e pueril, percebo grande poder e experiência na sua fala. Quando empolgadamente disse que tudo que passaram agora faz sentido... quando percebeu que de fato encontramos os seus velhos companheiros de aventuras... pude sentir um nó em sua garganta quando falava dos tempos passados e uma preocupação crescente quando passava aos tempos futuros.
Os sem pelos confabularam e requisitaram segredos. Formaram uma aliança secreta. Eles precisam do Povo, mesmo que as vezes o desprezem, como desprezaram na cidade mais à oeste onde enforcaram um irmão. Mestre Yukkai desaprovou, mas é sábio não exercer desequilíbrio na ordem atual das coisas. Ele e Mestre Huo provavelmente foram grandes discípulos. Espero que possa honrá-los a altura.
Uma árvore parece ser a última das relíquias que realmente pode abrir o selo dos portões. É isso que os sem pelos desejam. Pude farejar a excitação no anão de pelos dourados que nos acolheu em seu grandioso templo. Descansaremos. Amanhã teremos uma longa caminhada.

Rog, 11 de Rijen de 418.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Tempos negros se aproximam.

A chegada a Kjord não poderia ser pior. O clima frio que se intensifica tornava a imagem dos enforcados mais depressiva ainda. Grimm e Rog correram a identificar os mortos. Compreensível, pois havia entre eles um khâd e um Gnoll. Caminhamos lentamente em direção à forca exposta em frente ao salão do Jarl.

"Que loucura é essa? Quem é o responsável por tal insanidade?" gritava Barristan ao pé da forca montada. Guardas se aproximaram. Tensão e sofrimento estavam claramente expostos na face rubra e desesperada de Barristan. Os ânimos se exaltaram! Em pouco tempo os guardas haviam sacado suas espadas, Rog rosnava ferozmente para eles, sua simples presença contendo-os de qualquer ação mais exasperada. Barristan havia soltado o corpo da mulher enforcada, aos gritos: "Esta é Ariane, dos capas vermelhas. Por que a mataram?" Dois capitães de Kjord saíram do salão do Jarl e já caminhavam ameaçadoramente em direção à Barristan. Grimm se interpôs!

"BASTA!!!" gritou Stenon, a todo pulmão. Símbolo sagrado em mãos, invocando o poder de Heimdall, o horn parecia crescer em presença e poder. Ninguém poderia lhe negar a atenção!
"Um engodo se passa aqui", continuou Stenon. "Somos aliados de Kjord e não arruaceiros indigentes. Abaixem suas armas e ouçam a razão. Discutiremos como civilizados o que se passa aqui!"

Uma longa conversa com a Capitã Liv nos colocou a par de inquietantes notícias. Os quatro enforcados eram considerados os líderes dos "esquilos", grupo de foras da lei que raptaram e executaram nobres de Kjord. Um força do rei foi formada e pacificou a situação. Prisioneiros foram julgados e condenados. Havia representantes das raças e organizações importantes: anões, gnolls, homens do rei, clérigos! Nenhum capa vermelha havia reconhecido Ariane, o que deixava Barristan ainda mais incomodado. Decidimos falar com Lady Emma, pedir que nos deixe examinar os corpos e conversar com alguns prisioneiros.
Sir Gideon se juntou a nós. Trocamos informações e o colocamos a par de tudo que havíamos feito e descoberto. Rog saiu no meio da noite e voltou apenas pela manhã, disse que foi ter uma conversa com os representantes do Povo. Eles não estavam satisfeitos com a situação, pois lhes foi negado tratar os criminosos gnolls conforme sua própria cultura. Foi uma noite longa e cansativa.

A conversa com Emma foi difícil! Conseguimos autorização para examinar os corpos e falar com os prisioneiros, mas nos foi negada a oportunidade de retira-los da forca, um desejo de Grimm e Barristan. Por determinação dela, eles deveriam ficar expostos como criminosos a servir de exemplo, até que seus corpos apodreçam. Lady Emma sabia de Ariane, e disse a Barristan que ela era uma traidora e assassina, e que os Capas vermelhas a denunciaram, duro golpe para nosso guerreiro.

Stenon examinou os corpos, soltou seus encantamentos, mas de pouco adiantou. O corpo de Ariane estava envolto em um encantamento, ele nos disse. Forte demais para que ele o quebrasse. Rog conversou com os prisioneiros gnolls, os Kaitifs (sem tribo), que foi como ele os definiu. "Roha atar gruphs!", assassinos desgarrados, traduziu Stenon. Grimm trouxe mais informações inquietantes! Segundo ele, os prisioneiros anões culparam Ariane pelo sequestro e assassinato dos nobres. Que após sua chegada, o anão que liderava os revoltosos ficou mais cruel. Mais um duro golpe para Barristan. Sua tensão estava clara, e não sei por quanto tempo ele a conterá. Por fim decidimos falar com Dagalor, pois por mais grave que a situação em Kjord possa parecer, ainda temos assuntos mais urgentes a lidar: Um artefato capaz de transformar clérigos em mortos vivos!!

As nuvens de outono nunca foram tão escuras! Tempos negros se aproximam...

Nadja, 09 de Rijen de 417.




quarta-feira, 6 de março de 2013

Afastamento.

"Há 20 anos, Kjar foi enganada. Uma bruxa com poderes ilusórios havia enganado o Jarl Kjar, forçando-o a expulsar anões e khilasas. Esse evento mostrou o lado racista dos homens de nossa terra, a ferocidade e negra concordância com a qual seguiam as ordens de seu iludido jarl. Ódio disfarçado de engodo.
A bruxa foi derrotada, o jarl morreu, as feridas mentais não se curam tão facilmente. Os anões evitam Kjar, os khilasa a abandonaram de vez."

Com a história que me foi contada uma vez por Irmão Dagalor, sigo minha jornada cabisbaixo em direção a Kjord. A aranha foi vencida, confundida pela floresta que sumia ao seu redor, com Barristan e Rog castigando seu flanco, espetada pelas flechas de Grimm, tiro certeiro, sob ataque mágico meu e de Nadja.
Mesmo esse triunfo não apaga a memória de minha mente.
 "A revolta foi vencida, haverá execuções em Kjord!" disseram os anões da fortaleza. "Os líderes eram anões, gnolls e aruks, e uma mulher." Essa mulher não se encaixa! Mas a execução dos anões, gnolls e aruks trará o ódio de volta. Maldita criatura do caos, sinto suas mãos em tudo isso.

A visão na chegada a Kjord é pior que meus pensamentos mais pessimistas. Corpos pendurados como aviso. Anões, gnolls e aruks. Uma antiga cantiga vem à mente: On the turning away, From the pale and downtrodden, And the words they say Which we won't understand. "Don't accept that what's happening, Is just a case of others' suffering, Or you'll find that you're joining in The turning away"

Devemos ser vigilantes!

Stenon

On the turning away (clicar e ouvir)