terça-feira, 29 de setembro de 2015

Auspícios

Nadja caminhava distraidamente entre os vendedores ambulantes nos arredores da capital. Ciente da atenção que gerava, se deliciava com os olhares dos homens e os narizes torcidos de suas mulheres. Descontraída, passa ligeiramente os dedos sobre os diversos itens expostos em barracas de madeira montadas pelos comerciantes vindos de todas as partes do novo reino.
               Algo de repente chama sua atenção, não pela beleza da peça, pois ela não olhava as peças que tocava, mas pela sensação estranha que a peça provocou. Sua felicidade na manhã de um belo dia lhe foi tirada. A peça era um lindo vaso, antigo, pois suas bordas e desenhos estavam gastos pelo tempo. Ao tocá-la Nadja se transportou dali...todash!
               “Havia um grande salão, em uma bela cidade. Passo Leste, ela sabia. O salão estava cheio de convidados, e uma comitiva de estrangeiros apresentava seus presentes aos nobres locais.
               Uma mulher com traços muito parecidos com o de uma khilasa, estatura mediana, pela alva, cabelos negros e olhos amendoados, mas sem os adornos que caracterizam os costumes ciganos da raça, carregava o vaso.
               _ Trata-se de uma peça feita por um famoso artesão de meu povo, minha senhora! Ela dizia com forte sotaque, se dirigindo a uma nobre donzela dos normandos. Ela é feita com pedra trazida do fundo do mar interno e os desenhos são prata e ouro.
               _ O que são esses desenhos? Perguntou a anfitriã, perfilando seus dedos ornados pela estranha figura: uma cabeça vagamente humanoide com protuberâncias que lembram tentáculos.
               _ Representa uma criatura mítica do sul distante, minha senhora. Nós o mantemos sempre cheio de água, para provar nossa reverência ao poder do mar, e assim nossa casa fica livre de doenças e infortúnios.
               Rindo, satisfeita com o presente exótico, a mulher normanda pergunta: _ E o que acontece se a deixarmos vazia?
               _ Oh não senhora! Nós não fazemos isso no sul.
...ei....Ei... Solte esse vaso, khilasa! Isso custa caro, pois foi trazido das ruínas do pântano! Gritava o comerciante, um gordo e feio mercador de apenas um olho.
               Com um “me desculpe” que fez tremer de desejo o velho mercador Nadja continuou sua caminhada até o fim das barracas. Lá encontrou seu amigo fumando um cachimbo de madeira, um hábito que adquirira na ilha.
               _ Grimm, eu quero um vaso.
               Um sorriso se traçou no rosto do anão. Fácil!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Pântanos, sapos e barulhos

"Ótimo! Era só essa que estava faltando!
Mal cheguei para me reportar para o tal lorde Rufus, encontro um distinto grupo de pessoas, que parecem ter vindo de outro planeta!
Bêbados, misticos, esquimós da floresta e homem lince... Como se já não houvesse bagunça de mais por aqui.

Mas não pude deixar de encontrar interesse nessa mistura caótica! Após iniciarmos nossa incursão ao tal castelo no pântano, pude perceber que são loucos. Mas loucos com um coração, loucos com uma chama interior, não muito diferente de mim.

Até agora, essa exploração não rendeu frutos... apenas sapos.
A cada instante que se passa, e enxarco mais minhas botas com essa lama fedorenta, cresce mais forte o pensamento de que um plano para atrair os bandidos na estrada era uma estratégia mais acertada. Mas enfim, recebemos essa tarefa nas condições de seu mandante.
Não vejo a hora de rachar os crânios dessa escória de baderneiros!!!
Espero que seja ainda hoje!!!"

Thornstein, consigo mesmo sobre sua chegada a Riden.

"Estrada, estrada, estrada 
Gente estranha, não fala nada 
A boa mulher, até que enfim! 
Mulher ou cerveja 
está bom pra mim! 

Viro o copo 
Taverna agitada 
Entorno o copo 
Conversa fiada 
Viro o copo 
Subo na mesa 
Entorno o copo 
Me falta destreza 

Viro o copo 
Cadê todo mundo? 
Entorno o copo 
Esse copo sem fundo! 
Viro o copo 
A zonzeira me corta 
Quebro o copo 
vou ali e chuto a porta 

Do lado de fora caminho de lado 
Beleza! vamos atrás de uns pé rapado 
Estrada, estrada, estrada 
O que daria por um porco com gemada... 
O jeito é caminhar nesse futum pantanoso 
Queria mesmo era um bife gostoso 

Lá de cima a infame ruína 
A noite enfim definiria nossa sina 
Pé ante pé 
Lama após lama 
Na mente apenas a vontade 
De desmantelar tão vil trama 

Na penumbra avançam na frente 
Para a boca da temerosa serpente 
Quando não mais que de repente 
Um asqueroso batráquio mostra seu dente! 

Outro sapo veio valente 
Mas apenas para morrer indigente 
Naquela noite com pouco luar 
Por certeira lança inclemente 

Agora nos encontramos incautos 
Diante de sinistro edifício 
Estariam nos observando dos altos? 
Precisamos urgente de algum artifício 
Será essa missão nossa glória? 
Ou apenas o findouro precipício"

Por: Um clérigo bêbado.