sábado, 11 de agosto de 2012

Um dia de espera...


Mal posso acreditar no que meus olhos veem!
A morte - ela caminha!
Quando as sombrias criaturas partem em direção ao meu pequeno amigo
mais rápido ainda meu cavalo parte em direção a elas
Meus receios quanto à indestrutibilidade dos cadáveres andantes são dissipados quando, a galopadas, decepo a cabeça de um deles
O faiscar das lâminas na escuridão. O combate é rápido e brutal
Sou cercado por uma corja fétida, mas as forças do bem prevalecem
e apenas meu cavalo é ligeiramente ferido
Os colegas adiante também lutam bravamente sob a noite enluarada
Vou de encontro ao meu companheiro anão. Nossa união é a nossa força
Sob os nossos punhos a perversidade é subjulgada -
um a um os corpos pútridos caem, até não restar nenhum
Nossa trupe se reagrupa - o Gnoll jaz inconsciente, carrega em si profundos cortes
Estamos cansados e feridos. Nossos espíritos clamam por renovação
Malakir é o primeiro a perceber o pavoroso odor vindo no norte
Um calafrio percorre nossas espinhas
Aquela presença... quase podemos tocar com nossas mãos aquela presença maligna
Sabemos que não temos como enfrentar a besta. Não ali, não naquele momento
Voltamos o mais rápido possível para a carroça
Um pouco depois avistamos uma procissão cortando a estrada, em direção a Kjord
Marcham rápido noite adentro, tochas em flamas
Somos avistados. Alguns deles cavalgam em nossa direção
"Alto lá", anuncio-me enquanto me adianto a eles
"Gideon, filho de Ulfednar", digo retirando o meu elmo
Para o meu espanto tratam-se de cavaleiros portando o brasão de minha família
"Estamos sob o comando de sua tia, Emma. Ela vai pra Kjord"
Embora protocolar e cortês, a conversa com minha tia é tensa, envolta de sutil mistério
"Sombrios acontecimentos pairam sobre essas terras, digníssima tia"
"Sei sobre os acontecimentos, sobrinho", interferiu ela
"Preocupo-me com a vossa segurança e a de meus primos, vossos filhos"
Mesmo relatando sobre o Mago Negro, a besta e a participação ímpia do castelão
ela se mostrou firme, irredutível quanto sua permanência em Kjord
Marcamos uma audiência para o fim do dia seguinte. Ela provê uma cura para o Gnoll
Estranha coragem. Estranha estabilidade frente a evidências tão sinistras...
"Não tão firme assim", constata auspiciosa a tocada por Vishuu
Nós dois acompanhamos a caravana, os demais seguem para a vila dos fazendeiros
Durante as últimas frias horas da noite a Khilasa e eu ingressamos em uma espécie de comunhão psíquica, como explicou-me ela
"Tempos conturbados nos aguardam", justifica
No vilarejo somos conduzidos a uma cabana e orientados a não sairmos durante o dia
Em poucos podemos confiar nesse momento. A intriga é iminente
Tentamos manter a vigília mas, fruto da exaustão, caímos em profundo sono
Acordamos no fim do dia. O sol se pondo no horizonte anuncia uma noite decisiva...

Sir Gideon Ulfednarson

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