Dessa vez, a morte quase me
alcançou. Sinto como se tivesse estado do outro lado e voltado. Como se meu
espírito tivesse alcançado Valhalla, mas pela vontade de algum Deus, foi
devolvido a meu corpo. Quando acordei, os bandidos haviam sido derrotados, mas
não sem perdas. Rimmo estava morto.
Em quanto Gullinburst se
preocupava em pilhar os mortos, fizemos uma pira para que Rimmo pudesse se
despedir desse mundo de forma honrada, como o guerreiro que foi.
Após o funeral improvisado,
continuamos a explorar a ruína do castelo. Descemos a passagem de onde saíram
os bandidos. Ao descer as escadas escuras, iluminadas pela tocha de Ari Gandir
e pela adaga luminosa de Simows Grã (não que eu precisasse de tais artifícios,
claro) ouvimos um grito de agonia. O tipo de som que geralmente é o último a
sair de uma boca, prenúncio de uma morte horrível. Ao chegarmos ao final da escada, nos
deparamos com uma grande forma no meio da sala, de costas para nós. Sobressaltado
com nossa chegada, o ogro virou para nos encarar, escondendo algo atrás de si.
Com sua pouca habilidade com a fala, tentou se desculpar dizendo que alguém
tentou fugir. Pelo visto, pensou que fazíamos parte do grupo dos bandidos.
Ari Gandir tentou argumentar com
a criatura, enquanto Gullinburst se preparou para o combate iminente. Foi então
que foi possível ver o que o ogro escondia. Uma perna humana semi-devorada.
Atrás do ogro, o infeliz dono da perna jazia sem vida. A tentativa de Ari Gandir
de ludibriar o ogro se revelou fracassada, quando de repente o ogro partiu para
cima e o atacou com a perna! Pego de surpresa e acertado em cheio pelo ataque
feroz, Ari Gandir caiu inconsciente. Gullingburst atirou suas flechas, mas
também acabou caindo depois de um golpe implacável da perna decepada.
No meio da batalha, ouviram-se
gritos vindo de dentro da cela que o ogro guardava, e instantes depois, a porta
da cela se escancara, e irrompe de dentro uma criatura inusitada. No primeiro
instante pensei se tratar de mais um monstro, mas depois de um segundo, percebi
que era um gnol, branco como a neve.
Enquanto o ogro lutava ferozmente
com Thornstein, o gnol atacou a criatura por trás, e em meio à confusão que se
seguiu, garradas do gnol e jatos ácidos de Simows, o ogro acabou encontrando
seu fim com um golpe do martelo de Thotnstein. Corremos então para tentar
salvar os companheiros caídos, Ari Gandir e Gullinburst, que por muito pouco
não estavam além da ajuda.
Enquanto passávamos a noite cuidando
dos feridos, descobrimos que o gnol era
Uruoakk, um dos prisioneiros dos bandidos. Contou que seu barco foi atacado por
piratas e ele foi atirado ao mar. Não entendi muito bem como foi parar em uma
ruína no meio do pântano, mas essa explicação fica para outra hora.
Na manhã seguinte, com as feridas
tratadas, e após um pouco dos poderes de cura de Ari Gandir, descemos novamente
à masmorra. Ao chegar ao nível inferior, em meio à escuridão e ao cheiro de
podridão, descobrimos que a sala estava infestada de mortos-vivos. As criaturas
sem intelecto não ofereceram grande resistência, e após uma rápida batalha,
foram destruídos. Uma rápida varredura revelou um poço com uma escada que
descia a um nível inferior. Parecia não
ser usada a séculos... O que haverá embaixo? Como os bandidos passavam por aqui
sem atrair os mortos vivos? Eles...passavam por aqui ou haveria outra passagem?
Ivarr

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