segunda-feira, 9 de julho de 2012

Um dia de mistérios.


“A mordida de um cão selvagem deve equivaler à força da mordida de um cão de caça comum, cerca de 150 kg de força, três vezes mais forte que a humana e, portanto facilmente capaz de despedaçar um osso humano”.
Com esse pensamento acordei, uma faixa precária onde o dito cão me atingiu. Barristan e Grimm estavam em pé observando-nos enquanto nos recuperávamos dos ferimentos. A agilidade dos dois em combate leva a muitos questionamentos: seria a estrutura óssea dos khâd similar a dos normandos? Mesmo com músculos notadamente menores, eles seriam capazes de movimentos ágeis? Caso um infeliz acidente ocorra com Grimm, eu terei estas questões devidamente anotadas!
Depois passamos parte do dia seguindo uma estranha trilha de uma suposta besta que apareceu no antigo cemitério logo após o meu infortúnio desmaio. As marcas na terra mostravam que as plantas morriam ao redor do que seria a pegada da besta. Seria algum líquido secretado pela besta que corria os vegetais? Poderia ela emitir calor suficiente para afetar as pequenas plantas? Tantas perguntas sem um corpo a examinar. Tenho de providenciar mais folhas, minhas anotações nunca foram tão extensas.
A trilha nos levou ao amontoado de vilas que forma Kjord. Segundo Kalastur, minhas origens passavam por esse lugar. Mas seja qual foi meu papel por aqui, ele continua oculto nas brumas de minha memória. Caminhávamos em direção a Buborg, a vila dos fazendeiros, quando cruzamos com um grupo de cavaleiros, que nos perguntaram quem éramos, e o que fazíamos em Kjord. Barristan respondeu, contando de uma forma tão infantil os estranhos acontecimentos, que eu, que não tenho memória, sou capaz de trazer um ser da morte, e posso drenar energia vital, acharia pueril. Me recordo das palavras de Kalastur: a verdadeira força de um mago é conhecer tudo dos que o cercam sem que estes saibam do que você é capaz, pois assim você estará preparado para eles e eles nunca saberão o que esperar de ti. Magia é preparação, Malakir, predição dos acontecimentos para eleger as melhores opções de memorização para o dia. Cottar, era o nome do líder, arrogante e sem mesuras com as palavras, um homem que pode trazer problemas.
Por fim chegamos a uma pequena estalagem em Buborg, chefiada por Varik e suas atendentes. Os lugarenhos parecem temerosos, e quando os abordei sobre as ruínas do antigo cemitério nas montanhas, eles se mostraram ignorantes. Começa a ter sentido o círculo de fogo que vimos, um local como um cemitério é cheio de energia mágica, e isolado dos curiosos, forma um lugar perfeito para uma invocação. Esta noite irei lá. O gnoll não está mais conosco, suponho que tenha ido caçar ao para comer. Esquilos talvez, eu gostaria de examinar um.
Nadja, uma menestrel khilasa, nos contou sobre os acontecidos recentemente na vila, onde uma besta parece agir:
5 pessoas haviam morrido. Primeiro Kalkstein, um fazendeiro, apareceu morto próximo a sua fazenda, e segundo os camponeses, o corpo estava dilacerado. Sua viúva estava desaparecida há 2 dias”
Um corpo desaparecido com causa-mortis desconhecida, esta vila começa a me encantar.
“O segundo foi Borus, um ex-milícia, morreu próximo a sua fazenda, mas o corpo havia sido enterrado pelo irmão antes de examinado. Arbed, um lenhador, desapareceu e seu corpo não foi encontrado. Os locais desconfiaram de sua mulher, pois ele era agressivo com ela, mas nenhuma evidência foi encontrada. Conversei com ela, e descobri que ela sentia medo do marido, pois não muito tempo atrás, ele havia espancado sua única filha por descobrir que ela estava grávida, a menina perdeu o filho e virou prostituta em Nystocol.”
“Leuvarden, irmão de Borus, morreu 2 dias depois do irmão, e segundo seu guarda-costas, um mercenário vindo de Kjar, ele havia sido atacado por uma enorme besta, que surgiu do nada enquanto eles acampavam próximos a saída da vila. Segundo um guarda de Kjord que conversei, após a morte dele, eles recuperaram o corpo do irmão e viram que a causa da morte havia sido uma punhalada. Leuvarden havia herdado as terras do irmão com sua morte.”
Droga, perdi esse.
“E por fim Foltest, o jovem skald (bardo), foi encontrado morto, nesta noite, junto a uma jovem aldeã semi-nua. Segundo ela, ele havia tentado força-la, quando uma enorme besta apareceu e o dilacerou. Cotarr Pikeson, castelão de Kjord, prendeu um estrangeiro encontrado nos escombros do antigo porto, acusando-o de participação nisso tudo. Yoren, o clerigo, foi visto a caminho das taigas ao norte, no dia anterior à morte do bardo, segundo o dono da taverna, ele disse haver encontrado um pista do acontecido.”
Uma besta invocada por magia, corpos dilacerados, um enigma com o corpo de Kalkstein, pois todos até então, com exceção de Borus, claramente assassinado pelo irmão, foram vítimas de uma besta com nos descreveu Barristan e Grimm. Se o corpo desaparecido tiver as mesmas características dos demais, a besta mostra um padrão.
Barghest, o cão de Gehena! Li sobre sua lenda em um livro de Kalastur. Uma besta de outro mundo, que deve ser deliberadamente invocada. Há um criminoso em Kjord, um criminoso com conhecimentos mágicos impressionantes! Como a energia mística deve ter alterado seu corpo? Que autópsia linda isso me daria!
“Que besta é essa da lenda?” questionou Stenon.
Barghest é um ser maligno, que quando invocado deve cumprir algumas tarefas, sim, por isso o padrão de comportamento. Ele só atacou pessoas que cometeram atos malignos, sim!! (esta dedução foi do Adan, mas como o gnoll não estava na taverna esta hora, passei para o Malakir) Claro, com uma condição assim, ficaria mais fácil romper os ligamentos mágicos e liberar definitivamente a criatura. Devemos ser rápidos, pois assim como há uma condição para liberá-la, deve haver também uma para impedi-la. Esta noite com certeza passarei no cemitério antigo.
Rog retornou. Com muito custo, consegui um esquilo, e pelo que Stenon diz, ele acha que vou devorá-lo. Devo aprender a língua dos gnolls. Como será o esqueleto de um gnoll?
Tivemos mais um encontro infrutífero com Cotarr, que descobrimos ser capitão e castelão de Kjord, o que explica a arrogância. Tentamos convence-lo de nos deixar entrevistar o prisioneiro, mas mesmo os encantos da jovem khilasa não mostraram efeito sobre o duro capitão.
No início da noite parti rumo às ruínas. Todos permaneceram na estalagem, com exceção de Rog, que me acompanhou até próximo do salão de Kjord. Definitivamente tenho de aprender a falar esta língua. Quantos músculos terá uma língua de gnoll? Deve ser semelhante à humana, ou então nos seria impossível aprende-la. Mais uma nota, caso a sorte não sorria para Rog. Suponho que ele vigiará o salão a noite. Me despedi com um grunhido, disse adeus, ou talvez vaca prenha, nessa língua gutural.
O primeiro cão selvagem estava muito dilacerado para um exame correto. O segundo tinha apenas pequenos furos das adagas de Grimm. Ele é mais forte que Stenon, apesar de perder em força para Barristan e Rog. Droga, falta luz, deixe-me pegar uma tocha. Assim, melhor, opa... eu ainda não a acendi. Que brilho é esse??
Pelos deuses, círculo de pedras está se inflamando, a besta está retornando, tenho de fugir...espere! Eu não cometi nenhum ato maligno, estranho e nojento talvez, mas definitivamente não maligno. Vamos observar e torcer para que esteja certo...

Um comentário:

  1. Essa foi a melhor até agora. Eu particularmente gosto muito de um enigma a ser desvendado.

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