“A mordida de
um cão selvagem deve equivaler à força da mordida de um cão de caça comum,
cerca de 150 kg de força, três vezes mais forte que a humana e, portanto
facilmente capaz de despedaçar um osso humano”.
Com esse
pensamento acordei, uma faixa precária onde o dito cão me atingiu. Barristan e
Grimm estavam em pé observando-nos enquanto nos recuperávamos dos ferimentos. A
agilidade dos dois em combate leva a muitos questionamentos: seria a estrutura
óssea dos khâd similar a dos normandos? Mesmo com músculos notadamente menores,
eles seriam capazes de movimentos ágeis? Caso um infeliz acidente ocorra com
Grimm, eu terei estas questões devidamente anotadas!
Depois
passamos parte do dia seguindo uma estranha trilha de uma suposta besta que
apareceu no antigo cemitério logo após o meu infortúnio desmaio. As marcas na
terra mostravam que as plantas morriam ao redor do que seria a pegada da besta.
Seria algum líquido secretado pela besta que corria os vegetais? Poderia ela
emitir calor suficiente para afetar as pequenas plantas? Tantas perguntas sem
um corpo a examinar. Tenho de providenciar mais folhas, minhas anotações nunca
foram tão extensas.
A trilha nos
levou ao amontoado de vilas que forma Kjord. Segundo Kalastur, minhas origens
passavam por esse lugar. Mas seja qual foi meu papel por aqui, ele continua
oculto nas brumas de minha memória. Caminhávamos em direção a Buborg, a vila
dos fazendeiros, quando cruzamos com um grupo de cavaleiros, que nos
perguntaram quem éramos, e o que fazíamos em Kjord. Barristan respondeu,
contando de uma forma tão infantil os estranhos acontecimentos, que eu, que não
tenho memória, sou capaz de trazer um ser da morte, e posso drenar energia
vital, acharia pueril. Me recordo das palavras de Kalastur: a verdadeira força
de um mago é conhecer tudo dos que o cercam sem que estes saibam do que você é
capaz, pois assim você estará preparado para eles e eles nunca saberão o que
esperar de ti. Magia é preparação, Malakir, predição dos acontecimentos para eleger
as melhores opções de memorização para o dia. Cottar, era o nome do líder,
arrogante e sem mesuras com as palavras, um homem que pode trazer problemas.
Por fim
chegamos a uma pequena estalagem em Buborg, chefiada por Varik e suas
atendentes. Os lugarenhos parecem temerosos, e quando os abordei sobre as
ruínas do antigo cemitério nas montanhas, eles se mostraram ignorantes. Começa
a ter sentido o círculo de fogo que vimos, um local como um cemitério é cheio
de energia mágica, e isolado dos curiosos, forma um lugar perfeito para uma
invocação. Esta noite irei lá. O gnoll não está mais conosco, suponho que tenha
ido caçar ao para comer. Esquilos talvez, eu gostaria de examinar um.
Nadja, uma
menestrel khilasa, nos contou sobre os acontecidos recentemente na vila, onde
uma besta parece agir:
“5 pessoas haviam morrido. Primeiro
Kalkstein, um fazendeiro, apareceu morto próximo a sua fazenda, e segundo os
camponeses, o corpo estava dilacerado. Sua viúva estava desaparecida há 2 dias”
Um corpo
desaparecido com causa-mortis desconhecida, esta vila começa a me encantar.
“O segundo foi Borus, um ex-milícia,
morreu próximo a sua fazenda, mas o corpo havia sido enterrado pelo irmão antes
de examinado. Arbed, um lenhador, desapareceu e seu corpo não foi encontrado.
Os locais desconfiaram de sua mulher, pois ele era agressivo com ela, mas
nenhuma evidência foi encontrada. Conversei com ela, e descobri que ela sentia
medo do marido, pois não muito tempo atrás, ele havia espancado sua única filha
por descobrir que ela estava grávida, a menina perdeu o filho e virou
prostituta em Nystocol.”
“Leuvarden, irmão de Borus, morreu 2
dias depois do irmão, e segundo seu guarda-costas, um mercenário vindo de Kjar,
ele havia sido atacado por uma enorme besta, que surgiu do nada enquanto eles
acampavam próximos a saída da vila. Segundo um guarda de Kjord que conversei,
após a morte dele, eles recuperaram o corpo do irmão e viram que a causa da
morte havia sido uma punhalada. Leuvarden havia herdado as terras do irmão com
sua morte.”
Droga, perdi
esse.
“E por fim Foltest, o jovem skald
(bardo), foi encontrado morto, nesta noite, junto a uma jovem aldeã semi-nua.
Segundo ela, ele havia tentado força-la, quando uma enorme besta apareceu e o
dilacerou. Cotarr Pikeson, castelão de Kjord, prendeu um estrangeiro encontrado
nos escombros do antigo porto, acusando-o de participação nisso tudo. Yoren, o
clerigo, foi visto a caminho das taigas ao norte, no dia anterior à morte do
bardo, segundo o dono da taverna, ele disse haver encontrado um pista do
acontecido.”
Uma besta
invocada por magia, corpos dilacerados, um enigma com o corpo de Kalkstein,
pois todos até então, com exceção de Borus, claramente assassinado pelo irmão,
foram vítimas de uma besta com nos descreveu Barristan e Grimm. Se o corpo
desaparecido tiver as mesmas características dos demais, a besta mostra um
padrão.
Barghest, o
cão de Gehena! Li sobre sua lenda em um livro de Kalastur. Uma besta de outro
mundo, que deve ser deliberadamente invocada. Há um criminoso em Kjord, um
criminoso com conhecimentos mágicos impressionantes! Como a energia mística
deve ter alterado seu corpo? Que autópsia linda isso me daria!
“Que besta é
essa da lenda?” questionou Stenon.
Barghest é um
ser maligno, que quando invocado deve cumprir algumas tarefas, sim, por isso o
padrão de comportamento. Ele só atacou pessoas que cometeram atos malignos,
sim!! (esta dedução foi do Adan, mas como o gnoll não estava na taverna esta
hora, passei para o Malakir) Claro, com uma condição assim, ficaria mais fácil
romper os ligamentos mágicos e liberar definitivamente a criatura. Devemos ser
rápidos, pois assim como há uma condição para liberá-la, deve haver também uma
para impedi-la. Esta noite com certeza passarei no cemitério antigo.
Rog retornou.
Com muito custo, consegui um esquilo, e pelo que Stenon diz, ele acha que vou
devorá-lo. Devo aprender a língua dos gnolls. Como será o esqueleto de um
gnoll?
Tivemos mais
um encontro infrutífero com Cotarr, que descobrimos ser capitão e castelão de
Kjord, o que explica a arrogância. Tentamos convence-lo de nos deixar
entrevistar o prisioneiro, mas mesmo os encantos da jovem khilasa não mostraram
efeito sobre o duro capitão.
No início da
noite parti rumo às ruínas. Todos permaneceram na estalagem, com exceção de
Rog, que me acompanhou até próximo do salão de Kjord. Definitivamente tenho de
aprender a falar esta língua. Quantos músculos terá uma língua de gnoll? Deve
ser semelhante à humana, ou então nos seria impossível aprende-la. Mais uma
nota, caso a sorte não sorria para Rog. Suponho que ele vigiará o salão a
noite. Me despedi com um grunhido, disse adeus, ou talvez vaca prenha, nessa
língua gutural.
O primeiro
cão selvagem estava muito dilacerado para um exame correto. O segundo tinha
apenas pequenos furos das adagas de Grimm. Ele é mais forte que Stenon, apesar
de perder em força para Barristan e Rog. Droga, falta luz, deixe-me pegar uma tocha.
Assim, melhor, opa... eu ainda não a acendi. Que brilho é esse??
Pelos deuses,
círculo de pedras está se inflamando, a besta está retornando, tenho de
fugir...espere! Eu não cometi nenhum ato maligno, estranho e nojento talvez,
mas definitivamente não maligno. Vamos observar e torcer para que esteja
certo...
Essa foi a melhor até agora. Eu particularmente gosto muito de um enigma a ser desvendado.
ResponderExcluir