quinta-feira, 28 de junho de 2012

O velho, a floresta e a besta.

      Malditas aves sugadoras de sangue. Não tive a menor chance, mal entrei no salão e já estava cercado por elas. Suas ferroadas vão me assombrar mais que as pontas das adagas dos ladrões portuários de Kjar.
      Acordei sob os cuidados do estranho Malakir, faixas cobriam meus ferimentos, ervas colocadas sobre os furos gerados pelas stirges. Levantei-me e vasculhei o local. Segundo Barristan, que parece ter sido o único em pé ao final de nosso encontro com as malditas sugadoras, a única saída, à exceção da caverna por onde entramos é uma antiga janela coberta de gosma secretada pelas bolas de penas e sangue que arruinaram minha tarde.
     A escalada janela acima parece fácil, pra baixo, impossível. Antes que pudesse me posicionar, o afoito gigante peludo, que chamamos de Rog se precipitou pela janela e começou a escalar. Bola peluda idiota! Mas admito, é um bom escalador, sem técnica, mas mesmo assim bom. 
    Uma espécie de magia, segundo afirmaram os entendidos, o pálido curandeiro e o bitolado sacerdote, foi ativada, gerando um vento anormal, que quase atira nosso gnoll de estimação penhasco abaixo. Com muita dificuldade e sorte do inábil sacerdote de mente lavada, chegamos ao topo do que era uma antiga torre de vigia. 
    Enquanto os esquálidos entendedores da arte discutiam sobre os efeitos mágicos da torre e o cachorro peludo se borrava de medo, Barristan começou a tornar essa empreitada interessante. Encontrou 100 moedas antigas, feitas de uma liga de prata e platina. Valioso, muito valioso!
   Parece que a torre tinha o poder de ampliar a visão, além de magias de proteção contra escalada. Ainda bem que esta arte foi esquecida, pobres humanos com suas memórias e vidas curtas. Após um tempo interminável de discussões tolas, resolvemos descer. Ao que parece, estavam todos se borrando por causa de uma águia que apareceu nos sobrevoando.  
   Ao sair da caverna, no dia seguinte, nos deparamos com uma visão no mínimo exótica: Um velho sentado próximo a um tronco caído de árvore. Imediatamente me desloquei pra sombra mais próxima e fui lentamente me dirigindo ao velho. O afoito cachorro e o guerreiro Barristan se aproximaram diretamente.
   "Quem é você, velho? O que faz aqui?" questionou o guerreiro.
   “O que eu faço aqui, ora, eu vivo aqui há mais de 100 anos. O que vocês fazem aqui? Se bem que não são os primeiros a visitar as montanhas após os tremores...um já esteve aqui antes.
Vejam meus jovens, as montanhas Chariou não tem a fama de boa anfitriã, mas desde que eu as conheço nunca houve nenhum terremoto. Isto não é natural, eu posso sentir na água,  cheirar na terra! Esses tremores engolirão sua cidade se nada for feito.
    "Fazer o que, velho? Diga sem charadas ou enigmas?" disse Stenon.
Sim, sim algo pode ser feito, procurem pelo viajante vermelho para entender o passado e pelo visionário negro para enfrentar o presente. Eu, eu..... tenho de ir, não é seguro aqui, ela vai me achar!
 Há uma trilha na floresta, sigam-na, chegarão mais rápido. Não se preocupem, não há ursos nela. Meh, ursos! Hehehe.”
    Floresta!!!! Que diabos de floresta??? Pelas barbas de minha mãe!!!! Havia uma floresta no MEIO do caminho!!! 

   Seguimos por uma trilha na floresta por horas, e quando por fim a floresta, que segundo o magricela Malakir, tratava-se de uma ilusão, terminou, percebemos que estávamos a caminho de Kjord, mas algo nos esperava no caminho. 
   A trilha do velho misterioso nos levou a um antigo cemitério, onde algum tipo de círculo de fogo queimava.     Mal chegamos e ouvi ruídos suspeitos, estávamos cercados por cães selvagens. Seus olhos estavam vidrados e fomos atacados impiedosamente. 
   Stenon se posicionou mal, a praga só sabe rezar pelo jeito. Rog, afoito foi ajudá-lo, alguem precisa ensinar esse filhote que existe ataque, mas também existe defesa, e que os 200 quilos de músculo dele nem sempre serão suficientes. Malakir lutou bravamente para um magricelas, mas acabou sucumbindo às mordidas dos animais. Por fim, ficamos eu e Barristan, nove cães mortos e nossos amigos desacordados. Foi quando a besta apareceu.
   Enorme como um cavalo, uma luminosidade maligna a envolvia, suas presas causavam calafrios. Me posicionei para atacar, Barristan sacou seu arco. Rápida como um raio a besta saltou para dentro do círculo de fogo, e desapareceu junto com as chamas. Tive a impressão de que a flecha atirada por Barristan atravessou o corpo da besta, sem causar nenhum dano! Coisas estranhas estão acontecendo em Kjord, espero que paguem bem por resolver isso!

Grimm.

Um comentário:

  1. O bom e velho (muito velho!) Bertrak deu as caras. Essa participação especial foi muito legal. Mas ainda mais legal foi o comentário do Barristan de que "foi ali dar..." Primeiro grande capote da campanha.

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