Nadja caminhava distraidamente
entre os vendedores ambulantes nos arredores da capital. Ciente da atenção que
gerava, se deliciava com os olhares dos homens e os narizes torcidos de suas
mulheres. Descontraída, passa ligeiramente os dedos sobre os diversos itens
expostos em barracas de madeira montadas pelos comerciantes vindos de todas as
partes do novo reino.
Algo de
repente chama sua atenção, não pela beleza da peça, pois ela não olhava as
peças que tocava, mas pela sensação estranha que a peça provocou. Sua
felicidade na manhã de um belo dia lhe foi tirada. A peça era um lindo vaso,
antigo, pois suas bordas e desenhos estavam gastos pelo tempo. Ao tocá-la Nadja
se transportou dali...todash!
“Havia um grande salão, em uma bela cidade.
Passo Leste, ela sabia. O salão estava cheio de convidados, e uma comitiva de
estrangeiros apresentava seus presentes aos nobres locais.
Uma mulher com traços muito
parecidos com o de uma khilasa, estatura mediana, pela alva, cabelos negros e
olhos amendoados, mas sem os adornos que caracterizam os costumes ciganos da
raça, carregava o vaso.
_ Trata-se de uma peça feita por
um famoso artesão de meu povo, minha senhora! Ela dizia com forte sotaque, se
dirigindo a uma nobre donzela dos normandos. Ela é feita com pedra trazida do
fundo do mar interno e os desenhos são prata e ouro.
_ O que são esses desenhos?
Perguntou a anfitriã, perfilando seus dedos ornados pela estranha figura: uma cabeça
vagamente humanoide com protuberâncias que lembram tentáculos.
_ Representa uma criatura mítica
do sul distante, minha senhora. Nós o mantemos sempre cheio de água, para
provar nossa reverência ao poder do mar, e assim nossa casa fica livre de
doenças e infortúnios.
Rindo, satisfeita com o presente
exótico, a mulher normanda pergunta: _ E o que acontece se a deixarmos vazia?
_ Oh não senhora! Nós não fazemos
isso no sul.
...ei....Ei... Solte esse vaso, khilasa! Isso custa caro,
pois foi trazido das ruínas do pântano! Gritava o comerciante, um gordo e feio
mercador de apenas um olho.
Com um
“me desculpe” que fez tremer de desejo o velho mercador Nadja continuou sua
caminhada até o fim das barracas. Lá encontrou seu amigo fumando um cachimbo de
madeira, um hábito que adquirira na ilha.
_ Grimm,
eu quero um vaso.
Um
sorriso se traçou no rosto do anão. Fácil!

Tentáculos... Nada de bom pode vir disso. Meus auspícios não falham!
ResponderExcluirTentáculos... Nada de bom pode vir disso. Meus auspícios não falham!
ResponderExcluiriiiii
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