A chegada a Kjord não poderia ser pior. O clima frio que se intensifica tornava a imagem dos enforcados mais depressiva ainda. Grimm e Rog correram a identificar os mortos. Compreensível, pois havia entre eles um khâd e um Gnoll. Caminhamos lentamente em direção à forca exposta em frente ao salão do Jarl.
"Que loucura é essa? Quem é o responsável por tal insanidade?" gritava Barristan ao pé da forca montada. Guardas se aproximaram. Tensão e sofrimento estavam claramente expostos na face rubra e desesperada de Barristan. Os ânimos se exaltaram! Em pouco tempo os guardas haviam sacado suas espadas, Rog rosnava ferozmente para eles, sua simples presença contendo-os de qualquer ação mais exasperada. Barristan havia soltado o corpo da mulher enforcada, aos gritos: "Esta é Ariane, dos capas vermelhas. Por que a mataram?" Dois capitães de Kjord saíram do salão do Jarl e já caminhavam ameaçadoramente em direção à Barristan. Grimm se interpôs!
"BASTA!!!" gritou Stenon, a todo pulmão. Símbolo sagrado em mãos, invocando o poder de Heimdall, o horn parecia crescer em presença e poder. Ninguém poderia lhe negar a atenção!
"Um engodo se passa aqui", continuou Stenon. "Somos aliados de Kjord e não arruaceiros indigentes. Abaixem suas armas e ouçam a razão. Discutiremos como civilizados o que se passa aqui!"
Uma longa conversa com a Capitã Liv nos colocou a par de inquietantes notícias. Os quatro enforcados eram considerados os líderes dos "esquilos", grupo de foras da lei que raptaram e executaram nobres de Kjord. Um força do rei foi formada e pacificou a situação. Prisioneiros foram julgados e condenados. Havia representantes das raças e organizações importantes: anões, gnolls, homens do rei, clérigos! Nenhum capa vermelha havia reconhecido Ariane, o que deixava Barristan ainda mais incomodado. Decidimos falar com Lady Emma, pedir que nos deixe examinar os corpos e conversar com alguns prisioneiros.
Sir Gideon se juntou a nós. Trocamos informações e o colocamos a par de tudo que havíamos feito e descoberto. Rog saiu no meio da noite e voltou apenas pela manhã, disse que foi ter uma conversa com os representantes do Povo. Eles não estavam satisfeitos com a situação, pois lhes foi negado tratar os criminosos gnolls conforme sua própria cultura. Foi uma noite longa e cansativa.
A conversa com Emma foi difícil! Conseguimos autorização para examinar os corpos e falar com os prisioneiros, mas nos foi negada a oportunidade de retira-los da forca, um desejo de Grimm e Barristan. Por determinação dela, eles deveriam ficar expostos como criminosos a servir de exemplo, até que seus corpos apodreçam. Lady Emma sabia de Ariane, e disse a Barristan que ela era uma traidora e assassina, e que os Capas vermelhas a denunciaram, duro golpe para nosso guerreiro.
Stenon examinou os corpos, soltou seus encantamentos, mas de pouco adiantou. O corpo de Ariane estava envolto em um encantamento, ele nos disse. Forte demais para que ele o quebrasse. Rog conversou com os prisioneiros gnolls, os Kaitifs (sem tribo), que foi como ele os definiu. "Roha atar gruphs!", assassinos desgarrados, traduziu Stenon. Grimm trouxe mais informações inquietantes! Segundo ele, os prisioneiros anões culparam Ariane pelo sequestro e assassinato dos nobres. Que após sua chegada, o anão que liderava os revoltosos ficou mais cruel. Mais um duro golpe para Barristan. Sua tensão estava clara, e não sei por quanto tempo ele a conterá. Por fim decidimos falar com Dagalor, pois por mais grave que a situação em Kjord possa parecer, ainda temos assuntos mais urgentes a lidar: Um artefato capaz de transformar clérigos em mortos vivos!!
As nuvens de outono nunca foram tão escuras! Tempos negros se aproximam...
Nadja, 09 de Rijen de 417.

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